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Segundo um estudo realizado pela Nova School of Business and Economics, da Universidade Nova de Lisboa, o Algarve é a região do continente com maior percentagem de crianças com menos de 12 anos a viver em casas com telhados que deixam passar água e estruturas húmidas ou mesmo apodrecidas.

A equipa de investigadores liderada por Susana Peralta revela que a percentagem de crianças que vive nesta situação na região é de 34,2%, apenas superada no país pelas regiões autónomas da Madeira e dos Açores que atingem, respetivamente, os 45,8% e os 38%.

O estudo acrescenta ainda que o segundo problema no Algarve ao nível da privação habitacional infantil prende-se com a sobrelotação, adiantando ser de 31,4% a percentagem de crianças que vive nessa situação. A investigação revela ainda que 15,3% vive com “poluição, sujidade ou outros problemas ambientais”, 10,7% com “luz insuficiente no alojamento”, 8,4 % com “incapacidade financeira para ter casa adequadamente aquecida”, 7,7% com “crime, violência ou vandalismo na área de residência” e 2,5% “sem instalações de banho ou duche no interior da habitação”.

O estudo cruzou vários dados estatísticos sobre as condições de vida das crianças em Portugal, com o foco nas crianças até ao terceiro ciclo, em particular as mais desfavorecidas, alertando para a importância de manter no ensino presencial os alunos mais carenciados mesmo durante a vigência do ensino não presencial.

Os investigadores consideram que o ensino à distância, que regressa em Portugal a 08 de fevereiro devido à pandemia, vai agudizar a desigualdade no aproveitamento escolar das crianças, prejudicando as famílias mais desfavorecidas.

A equipa assinalou “a evidência acerca da desigualdade de aproveitamento escolar existente no sistema educativo português pré-pandemia, que as condições atuais irão necessariamente amplificar”, num relatório divulgado ontem através do Twitter.

“A evidência que reportamos contribui também para reforçar a importância de regressar ao ensino presencial assim que as condições sanitárias o permitam, respeitando a prioridade dada aos alunos até ao segundo ciclo prevista no planeamento do ano letivo”, destacam.

Os investigadores salientam que “as condições de habitabilidade são essenciais para o sucesso do ensino a distância”, tendo usado os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de 2019.

“Dada a situação de crise em que vivemos há cerca de um ano, é razoável assumir que os valores” são uma estimativa inferior, referem os autores.

Por causa da pandemia de covid-19, as escolas encerraram as portas há cerca de duas semanas e as crianças e jovens, desde creches ao ensino superior, ficaram em casa, numa pausa letiva que termina na sexta-feira.

Na segunda-feira, cerca de 1,2 milhões de alunos do 1.º ao 12.º ano voltam a ter aulas à distância, à semelhança do que aconteceu no passado ano letivo.

com Lusa

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