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Começou no passado domingo o Congresso Eucarístico Internacional, desta feita em Budapeste, na Hungria. Tempo de graça por excelência, a oportunidade deste encontro é um verdadeiro oásis espiritual de encontro com O Senhor a partir do mistério da Eucaristia. Para além de mim, delegado diocesano, a nossa diocese está representada pelo Cón. José Pedro e pelo P. Vasco Figueirinha.

A comitiva portuguesa, presidida pelo Rev.mo Senhor Bispo de Bragança-Miranda, D. José Garcia Cordeiro, chegou a meio do dia de segunda-feira. A cidade desenhou-se diante de nós como um postal que nos é dado visitar em primeira pessoa. No dia seguinte chegámos ao centro de congressos. Pedagogicamente os dias vão decorrendo orientados pelas temáticas inspiradoras dos frutos do Espírito Santo: alegria, paz, paciência…

Surpreendeu-me o dia de ontem – “Dia da Paz” no CEI. Em Laudes, o arcebispo de Eger/Hungria, incentivou-nos a ser instrumentos de paz na senda dos santos… na senda de Jesus. Mais tarde, o Cardeal Gérald Lacroix sublinhou que os gestos essenciais dos nossos sentidos, inspirados por Jesus que “destruiu a morte e restaurou a vida”, são testemunho agradecido de fraternidade universal por parte da Igreja. A paz e a reconciliação não podem ser utopias, são verdadeiro desejo de Deus para a transformação do mundo. Como membros da família de Cristo importa que sejamos também nós bênção de Deus para o mundo. O desafio lançado a todo o povo de Deus, continua o Cardeal, é que sejamos capazes de orar, conhecer a Palavra e viver numa comunhão de tal modo profunda que esteja centrada na eucaristia. Ter Cristo na Eucaristia abre a nossa vida em perspectiva missionária para o coração do mundo porque nos alimenta e envia.

O Cardeal Sako, Patriarca Caldeu Católico da Babilónia, partilhou com o Congresso o drama da Emigração e da consequente vida difícil de quem deseja ficar no Médio Oriente. “Olhar a cruz vazia dá-nos esperança”, afirmou. Esta dinâmica de santificação coloca na perseguição o caminho, e não a meta, o meio mas não o fim, por isso a Igreja surge como luz que se difunde quando se partilha e vive, pelo testemunho. A Igreja cresce sempre com o sangue dos mártires, talvez por isso o secretário de estado do vaticano, referindo-se à Igreja no Médio Oriente e aos cristãos iraquinanos, tenha dito: “aqui o testemunho da Fé chega ao martírio”. Ali, efectivamente não há vergonha de se afirmarem como cristãos. Quase podemos comentar estas palavras com o conselho de S. Paulo a Timóteo: “Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor” (2Tm 1,8).

Durante a tarde, habitualmente, decorrem diversos testemunhos a que podemos assistir livremente. Participei ontem no testemunho apaixonante de Barbara Heil. Uma convertida ao catolicismo vinda do Protestantismo, Igreja pentecostal. Impressiona a forma como Deus caminha ao lado de cada um de nós sem Se impor. Deixa-nos a vontade de olhar a nossa história pessoal como história de Salvação e de encontro com o Senhor que sempre nos procura, mesmo quando “a casa particular de cada um, que é o seu coração, parece já estar arrumada e decidida”. Para quem se dedicava a abordar pessoas em elevadores, praias e ruas para as convencer a deixar a Igreja Católica em busca de uma igreja mais “verdadeira”, a sua vida não podia ter tido maior viragem… empreendeu o regresso a uma casa (igreja católica) que não sabia ser a sua (pois desconhecia que era baptizada). Converteu-se de coração, e antes de genufletir fisicamente diante da Eucaristia, já o Senhor lhe tinha genufletido o coração quando no silêncio das suas inquietações se viu diante da graça admirável que é a presença real de Jesus.

Poderia escrever outras tantas coisas por hoje… escrevo estas. Não vim, não viemos, fazer turismo religioso a Budapeste. Viemos experimentar a catequese viva que se faz pelo mundo e é isso que queremos levar também nós para a nossa diocese. Olhando a cruz missionária que é símbolo deste congresso e que tem no seu centro uma relíquia da Santa Cruz, também nós seremos enviados como árvores que dêem frutos, e frutos em abundância, para cada um dos nossos lugares para anunciar que “todas as nossas fontes estão em Ti” (Sl 87, 7).

Padre Pedro Manuel, Delegado da Diocese do Algarve ao CEI,
Budapeste 2020 (em 2021)

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