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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

Helena Merlin, de 37 anos, solteira e natural de Faro, foi ontem enviada em missão para a China, no final da celebração da solenidade de Pentecostes, no Dia da Igreja Diocesana do Algarve, presidida pelo bispo da diocese ao final da tarde na Sé de Faro.

A algarvia vai participar numa missão naquele país, integrada numa comunidade do Caminho Neocatecumenal que ali vive uma realidade clandestina como toda a Igreja.

Em declarações ao Folha do Domingo, Helena Merlin explicou que o “chamamento” surgiu num dos encontros vocacionais, realizado há seis anos, com o iniciador do Caminho Neocatecumenal, Kiko Argüello. “Senti que Deus que me chamava a ir em missão”, afirma, acrescentando que se sentiu “inquieta”. “É uma felicidade que se sente”, complementa, sublinhando que esta chamada à missão é um “agradecimento a Deus” por Ele a ter chamado novamente à sua Igreja e por a ter “reconstruido pouco a pouco”.

Helena completou a iniciação cristã – foi batizada, fez a primeira comunhão e recebeu o crisma –, tendo iniciado a sua caminhada cristã através do Caminho Neocatecumenal, ao qual a mãe já pertencia. Mas, como acontece a muitos jovens, deixou depois a Igreja. “Experimentei outras realidades. Afastei-me à procura da felicidade fora da Igreja, onde a maioria dos jovens a procura – no divertimento e na noite –, mas vi que isso não me dava felicidade. Senti-me um pouco destruída e com uma crise de identidade e só a Igreja é que me voltou a dar respostas e me fez sentir bem”, testemunha.

Hoje, a missionária algarvia aconselha os jovens que sintam a mesma interpelação missionária a “que abram o coração” e “que não se deixem enganar pelas coisas do mundo porque a verdadeira felicidade está na Igreja e em Jesus Cristo”. “Quem faz a vontade de Deus sente-se muito mais feliz do que só a fazer a sua própria vontade”, considera.

Foto © Samuel Mendonça
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Helena não quis revelar, por “razões de segurança”, a zona da China para onde irá trabalhar, considerando que o local “não é importante”. “O que interessa é estarmos disponíveis para fazer a vontade de Deus. Quando estamos disponíveis, estamos disponíveis para qualquer parte do mundo. Por isso, fosse a China ou outro sítio qualquer, eu estaria disponível. Calhou a China, perguntaram-me se eu queria ir e eu disse que sim”, acrescenta, afirmando estar “preparada para tudo”. “A preparação é a caminhada que fazemos com a nossa comunidade”, complementa.

A missionária, que adianta ir por um ano, embora admita a possibilidade de a missão se prolongar por mais tempo, diz não ter “expetativa nenhuma”. “Vou para me converter e fazer a vontade de Deus, para viver o dia a dia e ver o que acontece”, completa, considerando estar a agir com apoio divino. “Tenho a certeza que é através deste Espírito Santo que é possível fazer isto, porque sozinha, pelas minhas forças, não era capaz”, considerou, reconhecendo ser difícil deixar a família a que pertence com mais três irmãos. “Sou professora de Artes Visuais do ensino secundário e podia estar sentada em minha casa ou a dar as minhas aulas, ter um ordenado; podia estar no meu conforto, mas fazer a vontade de Deus faz-me mais feliz”, testemunha, contando que a sua família também “está contente”. “Se eu estou feliz, eles estão contentes”, frisa.

O Caminho Neocatecumenal nasceu há 50 anos em Espanha, por iniciativa do pintor e músico Kiko Argüello e da missionária Carmen Hernández e é reconhecido pela Igreja Católica como um itinerário de formação católica válido para a sociedade e para os dias de hoje. Para além da China, este itinerário de iniciação cristã está atualmente está implantado também noutras nações tradicionalmente não cristãs, como o Egito, a Coreia do Sul ou o Japão. No que diz respeito à missão ad gentes, o Caminho Neocatecumenal conta atualmente com mais de 230 famílias a trabalharem em 52 cidades.

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