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Foto © Samuel Mendonça

Os jovens católicos do Algarve entregaram ontem à noite a Cruz da Evangelização à vizinha Diocese de Beja, recebida pelo padre Francisco Encarnação e por duas jovens.

Aquela cruz foi entregue pelo papa João Paulo II ao continente europeu na Jornada Mundial da Juventude de 1987, em Buenos Aires (Argentina) (ver vídeo abaixo) e está em Portugal por iniciativa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil para percorrer todas as dioceses portuguesas até à próxima JMJ que terá lugar de 26 a 31 de julho deste ano em Cracóvia (Polónia).

Na vigília de oração com cerca de 130 jovens e alguns adultos de várias paróquias da vigararia de Faro, a que presidiu ontem à noite na Sé de Faro para encerramento da peregrinação da cruz ao Algarve, iniciada no passado dia 11 deste mês, o bispo do Algarve lembrou esse “grande movimento” de jovens que “estão já direcionados” para o encontro com o papa Francisco na Polónia.

D. Manuel Quintas aproveitou a ocasião para lembrar que a cruz é para os cristãos “símbolo da obra da redenção”, “do grande amor” de Cristo pela humanidade. “A Cruz, para nós, é sempre referência de Cristo vivo, o ressuscitado, é sempre referência à grandeza do amor de Deus manifestado em Jesus. E essa manifestação aconteceu, de maneira particular, na cruz”, afirmou, recordando ainda a cruz como sinal distintivo que os cristãos traçam sobre si próprios para exprimir a bênção invocada de Deus.

O prelado alertou que “a obra de Cristo não terminou na cruz”, mas “consomou-se com a sua ressurreição”. D. Manuel Quintas frisou que “a cruz não é um fim em si mesma” – até porque “sofrer por sofrer não tem sentido” –, mas “um caminho, um meio e uma passagem”. “É neste sentido, como caminho e como meio, que o sofrimento tem este sentido e este objetivo redentor, ou seja, o de nos tornar participantes desta mesma obra redentora de Cristo”, acrescentou, advertindo que “todos aqueles que procuram Cristo sem cruz, acabam por encontrar uma cruz sem Cristo, sem sentido”.

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Foto © Samuel Mendonça

O bispo diocesano destacou ainda outro significado da cruz. “De certa maneira, esta cruz somos nós próprios, uma cruz que nos deixa os braços livres para podermos estender as mãos para ajudar os outros, para apoiar, levantar, erguer, para pedir perdão. Uma cruz que nos deixa os pés livres para podermos caminhar para irmos ao encontro dos outros, sermos mensageiros da Boa Nova, sermos anunciadores e testemunhas deste reino de que Jesus nos fez construtores. Portanto a cruz, mesmo que não tenha Jesus é sempre sinal da sua presença”, advertiu.

D. Manuel Quintas deixou, por isso, um desafio aos jovens. “Que esta celebração nos ajude a olhar, sobretudo, para a cruz de Cristo e nos ajude a abrir o coração à luz do ressuscitado que brota desta cruz; que nos ajude a sermos todos portadores, mensageiros desta luz, testemunhas e artífices deste amor, através de gestos concretos na nossa vida, gestos que vão certamente minorar a cruz, o sofrimento de tantos rostos com os quais nos cruzamos”, desejou.

O bispo do Algarve exortou ainda à participação na Jornada Diocesana da Juventude que este Ano Santo da Misericórdia será realizada como Jubileu dos Jovens no próximo dia 19 de março em Estômbar. “Vamos empenhar-nos para fazermos desse dia um dia de louvor, de júbilo, de acolhimento e de partilha da misericórdia de Deus neste Ano Santo da Misericórdia”, pediu.

Também o padre Pedro Manuel, diretor do Secretariado da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve que dinamizou a passagem da Cruz da Evangelização pela região, lembrou que “pela cruz entrou a salvação no mundo” porque a “a cruz deu lugar à ressurreição”. “A ressurreição é a verdade que a todos alimenta desde o nosso batismo”, acrescentou. E a memória daquele sacramento foi trazida à celebração com o rito de bênção e aspersão dos participantes com a água.

Outros dos momentos marcantes da noite foi o de longa veneração da cruz realizado pelos participantes.

Ao longo da última semana, depois da vigília de receção em Estômbar, a cruz participou em vigílias de oração para os jovens das paróquias que constituem cada uma das quatro vigararias da Diocese do Algarve. Na terça-feira realizou-se em Estômbar para os jovens da vigararia de Portimão, na quarta-feira na Sé de Silves para os da vigararia de Loulé, na quinta-feira na igreja da Luz de Tavira para os da vigararia de Tavira e na sexta-feira na Sé de Faro para os da vigararia de Faro.

A organização da próxima JMJ pretende juntar em Cracóvia as cinco cruzes que circulam pelos cinco continentes à cruz das JMJ, entregue também pelo papa João Paulo II aos jovens do mundo a 22 de abril de 1984, e que já esteve no Algarve em 2003 e 2010.

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