Inicio | Educação | Alunos de Loulé na Áustria para lembrar portugueses, incluindo algarvios, vítimas do nazismo

Alunos de Loulé na Áustria para lembrar portugueses, incluindo algarvios, vítimas do nazismo

Alunos de Loulé estarão no domingo entre milhares de pessoas que vão participar na cerimónia evocativa da libertação do campo de Mauthausen (Áustria), ocorrida em 05 de maio de 1945, homenageando assim os portugueses vítimas do nazismo.

Quarenta e nove estudantes de História da Escola Secundária de Loulé, professores, historiadores e o embaixador de Portugal em Viena, António Almeida Ribeiro, entre outros, constituirão a comitiva portuguesa que participa este ano na cerimónia, que junta anualmente cerca de 45.000 pessoas de vários países, anunciaram os organizadores.

Estes alunos de duas turmas do 11.º ano integram um projeto educativo (no âmbito da autonomia escolar) que tem estudado a II Guerra Mundial (1939-1945) e os portugueses nos trabalhos forçados do III Reich.

A professora Isabel Duarte, responsável por este projeto escolar, contou à agência Lusa que os estudantes aprenderam que no campo de trabalhos forçados de Mauthausen, criado pelos alemães na Áustria em 1938, estiveram pelo menos 12 emigrantes portugueses, alguns algarvios, que então viviam na França ocupada por Hitler.

“Com o esforço de guerra deixou de haver gente suficiente e o regime nazi foi buscar pessoas aos países que dominava, como a França. Ora, nós tínhamos milhares de portugueses emigrados em França e são esses portugueses que acabam por ser apanhados e levados para Mauthausen”, explicou a docente.

Parceiro do projeto educativo de Loulé, o Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa integrou uma equipa internacional que nos últimos anos realizou uma investigação que identificou cerca de mil portugueses sujeitos a trabalhos forçados e prisioneiros do regime nazi.

A investigação do instituto da universidade portuguesa, liderada pelo historiador Fernando Rosas, foi feita com o apoio da Fundação alemã EVZ – Fundação Memória, Responsabilidade e Futuro, e de outras instituições.

Deste trabalho resultou a exposição “Trabalhadores Forçados Portugueses do III Reich”, que esteve patente ao público em Lisboa, no final de 2017.

Depois, o município de Loulé estabeleceu uma parceria com a equipa de investigação para inaugurar a exposição neste concelho.

Em simultâneo, foi realizada localmente uma investigação que permitiu complementar a exposição com um núcleo designado “Os Louletanos no sistema concentracionário Nazi”, patente agora na Casa-Memória Duarte Pacheco, em Loulé.

Mauthausen é considerado “o campo por excelência do trabalho forçado, constituindo um dos maiores complexos de trabalho forçado na Europa da II Guerra Mundial”, detalha a Câmara de Loulé num documento sobre o projeto.

“Foi igualmente o campo mais ‘latino’ do sistema concentracionário”, por ter sido onde estiveram mais espanhóis e italianos, acrescenta.

“Este campo é onde estão identificados mais portugueses e entre eles algarvios e entre estes louletanos. É muito importante que os jovens percebam que há uma história em que os portugueses também participaram, porque normalmente pensa-se que na II Guerra Mundial éramos neutrais e não tinha havido vítimas”, sustentou Isabel Duarte.

A professora explicou ainda que no campo de Mauthausen – uma pedreira – a mortalidade era elevada. Os homens tinham de transportar as pedras por uma escadaria e acabavam por ter acidentes com as pedras, além de passarem frio e fome.

“Poucos sobreviveram. Tomás Vieira era de Boliqueime, começou por ser prisioneiro político, porque tinha estado na Guerra Civil de Espanha [1936-1939], e sobreviveu lá um dia”, detalhou.

No fim da guerra, sendo este o campo situado mais a sul no território do Reich, foi o último a ser libertado pelas tropas aliadas. Desde essa data, há 74 anos, que é realizada anualmente uma cerimónia em honra das vítimas.

Além de assistirem à cerimónia, os alunos vão ter uma visita guiada pelos serviços educativos do campo.

Em 2017, foi colocada em Mauthausen uma placa em memória destes portugueses por ocasião da cerimónia de comemoração da libertação do campo, com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e de alguns elementos da equipa de investigação.

Verifique também

Diocese do Algarve começou a implementar a nova formação inicial para catequistas

O novo curso de formação inicial para catequistas, implementado este ano de modo experimental a …

Folha do Domingo

GRÁTIS
BAIXAR