A exortação apostólica ‘Amoris Laetitia’ (A Alegria do Amor) está a celebrar 10 anos, desde a sua publicação a 08 de abril de 2016, e a Diocese do Algarve já admitiu aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia 20 casais católicos em segundas núpcias não sacramentais, que percorreram o caminho de “discernimento” proposto pela Igreja.

Recorde-se que o Papa Francisco propôs naquele documento – resultante das propostas de duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015) e dos inquéritos aos católicos de todo o mundo sobre a família – um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

“Quanto às pessoas divorciadas que vivem numa nova união, é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que «não estão excomungadas» nem são tratadas como tais, porque sempre integram a comunhão eclesial. Estas situações «exigem um atento discernimento e um acompanhamento com grande respeito, evitando qualquer linguagem e atitude que as faça sentir discriminadas e promovendo a sua participação na vida da comunidade”, refere o documento no número 243.

Também o Dicastério para a Doutrina da Fé destacou em 2023, em resposta a um conjunto de questões colocadas pelo cardeal Dominik Duka sobre o acesso aos sacramentos de divorciados em nova união, que aquela exortação pós-sinodal abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia quando, num caso particular, “há limitações que atenuam a responsabilidade e a culpabilidade”.

Segundo aquele dicastério, “o processo de acompanhamento dos recasados não termina necessariamente com os sacramentos, mas pode ser orientado para outras formas de integração na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, participação em grupos de oração ou reflexão ou envolvimento em diversos serviços eclesiais”.

Em março deste ano, o Papa convocou os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para um encontro sobre a pastoral familiar, no 10.º aniversário da exortação ‘Amoris Laetitia’, em outubro deste ano e, em Portugal, a Comissão Episcopal do Laicado, Família e Vida da Conferência Episcopal Portuguesa pediu aos bispos a elaboração de um relatório sobre a aplicação do documento nas dioceses.

Depois de terem iniciado este percurso de “discernimento”, acompanhados pelos seus párocos, os casais algarvios receberam as suas declarações a explicitar que podem ter acesso aos sacramentos como cristãos recasados e que foram depois averbadas nas suas certidões de batismo.

Para além destes casos, há outras situações análogas cujos processos deverão ser iniciados em breve.

com Agência Ecclesia

 

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