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Arménio Carlos diz que desemprego e cortes nos serviços públicos podem afetar turismo algarvio

© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa

O secretário-geral da CGTP alertou ontem que o cenário de desemprego acentuado e de cortes nos serviços públicos vividos no Algarve têm de ser encarados de outra forma pelo Governo, sob pena de afetar o turismo nacional.

“O Algarve não é praia e sol”, disse à Lusa Arménio Carlos, observando que em simultâneo com a promoção externa turística da região, “há, no plano interno, uma política que está a pôr em causa um conjunto de serviços públicos, que não só questiona os direitos das pessoas mas que pode levar a que tenhamos também problemas de assistência dos próprios turistas, se porventura necessitarem de recorrer a alguns serviços”.

As declarações foram proferidas à margem do VIII Congresso da União dos Sindicatos do Algarve que contou ontem, em Faro, com representantes de perto de 23 sindicatos presentes na região e que elaboraram uma estratégia de desenvolvimento regional.

A estratégia desenhada no congresso visa “aproveitar as potencialidades enormes que a região tem, mas uma estratégia que tenha como destinatários os algarvios e o país mas com uma distribuição equitativa da riqueza, que não acontece hoje”, explicou o coordenador da União de Sindicatos do Algarve, António Goulart.

Aquele responsável sindical observou que, apesar o Produto Interno Bruto (PIB) na região continuar cerca de 2% acima da média nacional, o ganho médio do trabalhador algarvio por conta de outrem é em 14% inferior à média nacional.

“Estes dois dados permitem perceber claramente que é uma distribuição horrível da riqueza produzida na região”, comentou, acrescentando que o Algarve vive a maior crise de desemprego desde 1992, altura em que o desemprego atingiu 20 mil pessoas.

António Goulart vincou que a região está há sete anos numa crise.

“Ao fim destes anos, o Algarve tem menos população empregada, mais desempregados e tem cada vez menos futuro com estas políticas”, afirmou, lembrando que os cortes nos postos de trabalho nos serviços públicos têm consequências desastrosas e que negam o direito constitucional ao acesso aos serviços de saúde, de educação, Segurança Social, justiça e aos serviços de proximidade.

O documento vai ser enviado ao Governo, ainda que os sindicalistas da região admitam não criar expectativas sobre a sua recetividade, porque as medidas prometidas à três anos aos sindicatos do Algarve nunca foram concretizadas.

Perante uma plateia repleta de sindicalistas algarvios, Arménio Carlos apelou à mobilização nacional pela informação junto dos trabalhadores e população em geral sobre as medidas que o Governo está a preparar e as suas consequências nos direitos atuais e das futuras gerações.

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