O Renovamento Carismático Católico (RCC) do Algarve promoveu, no passado sábado, 14 de junho, uma assembleia diocesana no Centro Paroquial de Loulé.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O encontro, subordinado ao tema «Eu quero Misericórdia e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais do que holocaustos» (Os 6,6), ficou marcado pela oração pela paz no mundo. Um dos momentos mais significativos foi a prece levada a cabo por representantes dos vários grupos algarvios do RCC, em torno de duas carismáticas de mãos dadas: uma natural da Ucrânia e outra da Rússia, num gesto simbólico de reconciliação e sã convivência entre os povos.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Outro dos momentos de destaque, foi a evocação dos 60 anos que o movimento, a nível internacional, completará próximo ano. Recorde-se que o RCC surgiu nos Estados Unidos da América, na Universidade de Duquesne de Pittsburgh (Pensilvânia – EUA), em 1967. Nesse contexto foi dado especial destaque aos mais de 45 anos que o movimento já leva de vida no Algarve e foi feita uma recordação dos cerca de 22 grupos que ao longo desse tempo foram constituídos na diocese, tendo alguns desaparecido entretanto.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Fazemos uma recordação do RCC no Algarve desde os primeiros momentos, com algumas pessoas que já não estão cá, mas que foram importantes na vida de alguns de nós e receberam a graça de serem desafiados a esta corrente de graça que é o Espírito Santo no RCC”, lembrou o coordenador diocesano do RCC.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

António Aparício citou ainda o Papa Leão XIV para lembrar que o carisma do RCC é “a adoração e o louvor”. “Nós temos tentado sustentar isso. Primeiro porque os grupos de oração são necessariamente grupos de oração em louvor. Com louvor, muito louvor, para que em momentos de oração o Senhor se faça presente pelo poder do seu Espírito”, referiu.

“Também nos nossos encontros nunca podemos colocar de lado o momento de adoração ao Santíssimo Sacramento. E nós, carismáticos, a adoração ao Santíssimo, fazemo-la em louvor. Temos momentos de silêncio, momentos de contemplação, mas temos muitos momentos de louvor porque é a louvar que permitimos que o Espírito Santo desenvolva em nós essa paixão de amor por Cristo Jesus”, complementou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Cada um dos 12 grupos algarvios do RCC preparou previamente para o encontro um dístico com a explicação do seu nome e um cajado decorado, cuja simbologia foi explicada pelo responsável diocesano. “Ser coordenador de um grupo de oração não é nenhum estrelato, é uma missão de serviço. Daí o testemunho com o cajado. Nós não somos ordenadores, somos co-ordenadores, convosco orientamos todos os nossos grupos de oração”, justificou António Aparício.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Outro dos momentos de destaque da assembleia foi o agradecimento feito ao bispo do Algarve. “Temos que agradecer o seu acolhimento como pastor. O senhor tem-nos acolhido de um modo muito fraternal e disponível. Desde há uns anos a esta parte, não me lembro que o senhor tenha faltado a uma assembleia diocesana nossa. Isso toca muito fundo nos nosso corações”, afirmou António Aparício, acrescentando que “a presença do pastor é importantíssima para as suas ovelhas”. “Não nos esqueceremos de si, continuaremos a rezar sempre por si, mas também pedimos nas suas orações que não se esqueça deste pequeno grupinho que é o RCC Algarve”, prosseguiu António Aparício, que presenteou o bispo diocesano com a cruz do movimento e um pequeno cabaz de iguarias algarvias.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas agradeceu também pelos mais de 45 anos de presença no Algarve, lembrando que aquilo “que carateriza este movimento” “é o louvor e a ação de graças”. “Quantos dons Deus concedeu a todos aqueles que ao longo destes anos se inseriram neste movimento, abriram o seu coração à ação do Espírito e deixaram que fosse Ele a encher o coração com a sua graça e com os seus dons”, prosseguiu, desafiando os participantes a “olhar para o futuro sempre com otimismo, com audácia e ousadia própria daqueles que se deixam conduzir, iluminar e fortalecer pelo Espírito Santo”. “Porque é Ele que nos torna ousados e é Ele que dá a audácia de que precisamos, antes de mais para nós e depois também para transmitir esse mesmo ardor a todos aqueles que encontrarmos na nossa vida”, completou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na Eucaristia, a que presidiu e que teve também presente todos os membros da RCC falecidos, o bispo do Algarve referiu-se de modo particular à temática da misericórdia que inspirou aquele encontro e na qual também incidiram as leituras daquele dia. “A Palavra de Deus lembra que Deus é Misericórdia. O nosso Deus é um Deus clemente e compassivo, um Deus misericordioso”, começou por constatar D. Manuel Quintas.

Lembrando que “nos dias de hoje é muito fácil encontrar pessoas que andam desgarradas, sem norte, sem conteúdo na sua vida”, o bispo do Algarve realçou que “a missão que Cristo confiou aos doze e à Igreja toda, tem de ser vivida por todos, cada um no seu campo, cada um na sua especificidade, na sua vocação particular”. “É assim que nos ajudamos uns aos outros a crescer na comunhão e na identificação com a pessoa de Jesus”, reforçou e apelou a que “cada um de se sentisse amado, chamado e enviado”.

A Conferência Nacional do RCC tem personalidade jurídica canónica e personalidade jurídica civil, nos termos da Concordata, entre a Santa Sé e a República Portuguesa; para além das equipas diocesanas também fazem parte da conferência três comunidades – Emanuel, Canção Nova e Cristo Betânia.

O RCC está hoje presente em mais de 200 países, com mais de 120 milhões de membros.