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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

A presidente da Associação Académica da Universidade do Algarve disse na sexta-feira que em 2015 os cortes no financiamento à instituição vão ser de 6,5 e não de 1,5%, como disse o ministro da Educação e Ensino Superior.

Em declarações à agência Lusa, Filipa Braz Silva contrariou os dados avançados por Nuno Crato na quinta-feira, numa entrevista a um canal televisivo, e considerou que os cortes previstos para Universidade do Algarve (UAlg) são prova de que, “ou se esqueceram da Universidade do Algarve na ponderação ou alguém aqui não está a falar a verdade”.

“Não só vai diminuir, como não é verdade o que disse o senhor ministro da E

ducação relativamente à percentagem de cortes que vai ser aplicada, porque o que disse o senhor ministro foi que esse corte seria de 1,5%, no máximo, e no caso da Universidade o corte vai ser de 6,5% em 2015, aproximadamente 2 milhões de euros, em vez de 450 mil”, afirmou a dirigente académica.

Filipa Braz Silva disse ter ficado “extremamente indignada” e “não compreender” como é que, “por um lado, a Universidade tem um aumento de alunos na primeira fase de 15 por cento e, em vez do orçamento e do financiamento público à universidade aumentar, vai diminuir”.

“Também não é verdade quando o senhor ministro disse ontem [quita-feira] de que, nestes oito anos, os cortes às instituições de ensino superior têm sido na ordem dos 20 por cento. Novamente, no caso da Universidade do Algarve, só nos últimos quatro anos, e nem estou a falar de oito anos, os cortes foram de 32 por cento, aproximadamente 14 milhões de euros. Passámos de um orçamento de 44 milhões para um orçamento de 30 milhões”, observou.

A dirigente académica apontou alguns efeitos dos cortes já verificados, como as faltas de livros atuais nas bibliotecas, de professores de especialidades para determinadas áreas, de “software”especializado e avançado nas universidades de reagentes para ser feita investigação e experiências laboratoriais”, e frisou que os “cortes tão agressivos” como os previstos para 2015 deixam o Ensino Superior “perante um grande problema”.

Em protesto contra estes cortes, a Associação Académica decidiu realizar uma semana de contestação às reduções no financiamento do ensino superior público, por ocasião da receção ao caloiro 2014, anunciou a presidente.

A mesma fonte frisou que, no âmbito do combate às praxes abusivas, a Associação vai distribuir aos novos alunos informação com contactos úteis aos quais podem recorrer em caso de se depararem com algum problema durante os rituais.

“Serão distribuídos panfletos pelos novos alunos que explicam para que serve a praxe e quais os limites da mesma, bem como os órgãos internos e externos a que os caloiros devem recorrer se se sentirem lesados e que incluem o Conselho de Veteranos, o Reitor e o Ministério da Educação, para além da própria Associação Académica”, acrescentou.

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