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Protesto_encerramento_finacas_aljezur2O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) acusou o Governo de ter encerrado serviços públicos na região à revelia da população e das autarquias, argumentando que as pessoas talvez não estivessem tão revoltadas se tivessem sido prevenidas.

“Se [o Governo] tivesse conversado com as Câmaras, como aparentemente está agora a fazer, evitava-se que as populações estivessem tão desprevenidas e tão revoltadas”, afirmou no sábado Jorge Botelho à Lusa, dando como exemplo o fecho de três extensões de saúde na serra algarvia, em outubro passado, o que originou protestos e uma manifestação.

O responsável comentava assim um levantamento realizado pela agência Lusa, com base em informações de organismos oficiais, segundo o qual encerraram no Algarve 158 serviços públicos, desde o ano 2000, entre os quais oito extensões de saúde e sete Serviços de Atendimento Permanente (SAP), que deram origem a Serviços de Urgência Básica (SUB) ou a consultas de recurso, embora com redução no horário de atendimento.

Nos últimos anos encerraram ainda na região 20 estações dos correios, cinco tesourarias da Segurança Social e 84 escolas básicas do 1.º ciclo, tendo sido construídas 24 novas escolas, o que, segundo a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, significa, contudo, um “saldo positivo”, já que apesar de menos escolas há agora mais salas de aula.

No que respeita ao fecho de escolas, Jorge Botelho (PS) defendeu que não é plausível manter escolas com 20 alunos ou apenas um professor para vários anos de escolaridade.

O presidente da AMAL recordou que a última escola a encerrar em Tavira, no Livramento, tinha apenas nove alunos, que foram depois transferidos para um estabelecimento maior na localidade vizinha de Luz de Tavira, após ter sido acautelada uma solução para o seu transporte.

“É um padrão em que o encerramento [das escolas] pode ser justificado, mas o que está a acontecer não é nada disso. Não se justifica encerrar extensões de saúde, tesourarias da Segurança Social ou serviços de Finanças, porque as pessoas ficam desprotegidas”, declarou.

Jorge Botelho acrescentou ainda que o Governo prometeu instalar no Algarve 50 balcões que funcionariam como mini-lojas do cidadão, promessa que ainda não teve, porém, desenvolvimentos no terreno.

“Começou-se a casa pelo telhado. Primeiro, encerram-se serviços, depois arranja-se uma solução qualquer de um serviço de modernização administrativa para recriar aquele que fechou”, concluiu.

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