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Hospital_faroA Comunidade Intermunicipal do Algarve quer ouvir os presidentes do Centro Hospitalar do Algarve e da Administração Regional de Saúde para tomar uma posição sobre a denúncia de falta de condições nos hospitais de Portimão e Faro.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do (AMAL), Jorge Botelho, disse à Lusa que os 16 autarcas da região se reuniram na segunda-feira para analisar um abaixo-assinado subscrito por 182 médicos do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), que se queixam da degradação dos cuidados de saúde prestados à população algarvia, com frequentes adiamentos de cirurgias programadas, falta de material e medicamentos ou atrasos na realização de exames, mas decidiram pedir esclarecimentos às entidades responsáveis.

“Decidimos que, para termos uma decisão mais aprofundada e com algumas propostas dos autarcas, iríamos na próxima semana convidar o presidente do CHA, da Administração Regional de Saúde e os médicos para poderem conversar connosco e, ouvindo as partes, tomarmos uma posição sobre o assunto”, afirmou Jorge Botelho.

O também presidente da Câmara de Tavira disse que esta decisão foi tomada depois de “os autarcas reconhecerem que de facto há muitas dificuldades nas questões do material cirúrgico, das cirurgias, dos meios complementares de diagnóstico, do atraso nas consultas, da falta de médicos, do encerramento de algumas instalações de saúde”.

“Ontem [segunda-feira] não houve nenhuma posição tomada e essa posição será tomada na próxima semana, seguramente”, acrescentou, referindo-se à reunião que os autarcas pretendem realizar na próxima segunda-feira para ouvir os responsáveis do CHA, da ARS e representantes dos médicos subscritores da carta.

No domingo, Jorge Botelho considerou “grave” o conteúdo do documento, que denuncia as más condições dos hospitais de Faro e Portimão e foi subscrito por 182 de um universo de 230 médicos especialistas efetivos daquelas duas unidades, ou seja, aproximadamente 80%.

Na segunda-feira, o presidente do conselho de administração do CHA, Pedro Nunes, classificou de “ridículo” e “desleal” alguns médicos falem de faltas de medicamentos em Faro e Portimão e de cirurgias adiadas por falta de material.

“É absolutamente ridículo e uma deslealdade dizer que faltam medicamentos oncológicos ou que faltam medicamentos do HIV”, declarou à agência Lusa o presidente do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes, admitindo, todavia, que há dificuldades, mas não têm a “dimensão que as pessoas quiseram colocar”.

Segundo Pedro Nunes, quando havia muito dinheiro, normalmente comprava-se no mês de novembro para o mês de janeiro e fevereiro e depois faziam-se as contas tranquilamente.

Agora “há uma coisa inventada pela ‘troika’ chamada Lei dos Compromissos em que não pode haver qualquer tipo de derrapagem financeira. Em dezembro a dificuldade é comprar para dezembro e está fora de causa comprar para janeiro sem violação da lei”, explicou.

A Administração Regional de Saúde do Algarve emitiu na segunda-feira um curto comunicado a informar que “tomou oficialmente conhecimento do conteúdo de uma carta assinada por um grupo de médicos assistentes hospitalares do CHA” e a assegurar que, “no seguimento de notícias veiculadas na comunicação social sobre a referida carta” e “no âmbito das suas competências”, estão a ser “tomadas todas as providências necessárias de forma a esclarecer e colmatar esta situação”.

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