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Rio_guadianaOs presidentes das câmaras de Vila Real de Santo António e Castro Marim criticam os sucessivos adiamentos nas obras de desassoreamento do rio Guadiana, que dizem ser prometido de ano para ano sem haver resultados no terreno.

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, David Santos, que exerce a presidência rotativa da Eurorregião Algarve-Alentejo-Andaluzia, tem defendido as potencialidades de desenvolvimento do Baixo Guadiana e afirmou que as questões ambientais para realizar o desassoreamento do rio “já foram ultrapassadas”, faltando agora apenas um parecer da comissão internacional de limites luso-espanhola para a obra avançar.

Contudo, tanto o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes (PSD), como o seu colega de Castro Marim, Francisco Amaral (PSD), criticaram os sucessivos atrasos, dizendo que o que é necessário é mesmo realizar a obra e não fazer promessas que se repetem ao longo do tempo.

“Acho que é uma vergonha o que se está a passar, porque isto devia estar feito há 20 anos e há 20 anos que ouço falar na dragagem do rio. O Governo e a CCDR o que têm é que fazer e deixar de dizer que vão fazer, porque a história do ir fazer já ouço há muitos anos, dos governos todos, dos partidos todos”, afirmou Francisco Amaral em declarações à Lusa.

O recém-eleito presidente da Câmara de Castro Marim, que já esteve cinco mandatos à frente de outros município do Baixo Guadiana, o de Alcoutim, considerou que “já chega de enganar as pessoas” e que o que é necessário “é fazer e mais nada”.

“Estou farto de ser enganado, eu e os habitantes do Baixo Guadiana”, afirmou, frisando que antes a desculpa era a falta de acordo com Espanha, agora é a crise económica e a obra não avança.

Luís Gomes disse, por seu turno, esperar que “seja de vez e se passe das promessas à prática”, porque já há três décadas que se ouve promessas dos governos, de todos os partidos, sobre a dragagem e desassoreamento do rio.

“Todos nós precisamos que haja desassoreamento da barra do Guadiana, porque nós não podemos ter o rio com este potencial e esteja prisioneiros há mais de três décadas do assoreamento da barra. Acho que de uma vez por todas é preciso deixar as palavras e passar aos atos”, afirmou o autarca de Vila Real de Santo António.

Luís Gomes acrescentou que “o Guadiana é um dos rios mais importantes da Europa e da península ibérica e que está acorrentado por uma lógica de esquecimento a que tem sido vetado pelos diversos governos”, situação que gostava de ver alterada.

“Espero, e este Governo ficaria na História, se de uma vez por todas fosse sério e assumisse os compromissos que fez em sede de programa eleitoral”, acrescentou.

O recém-eleito presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, congratulou-se com a possibilidade de a obra avançar e responder a uma aspiração antiga das populações, proporcionando “a melhoria das condições de navegação e de segurança das inúmeras embarcações de recreio” no rio.

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