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Avatar ou o Futuro do Cinema?

“Avatar”, a grande estreia cinematográfica deste Natal, vai certamente dominar as salas de cinema portuguesas durante as primeiras semanas do novo ano.

Mais de uma década passada sobre a estreia do já clássico “Titanic”, James Cameron, o realizador norte-americano responsável por obras populares como “Exterminador Implacável”, “Aliens” ou “O Abismo”, regressa aos ecrãs de cinema com “Avatar” a mais recente superprodução de Hollywood, cujo orçamento de mais de 500 milhões de dólares, constitui um novo recorde na indústria cinematográfica mundial.

A explicação para os elevados custos de “Avatar” reside precisamente no factor que distingue este filme da esmagadora maioria das obras produzidas em Hollywood; a utilização da imagem 3D (três dimensões) aliada a um impressionante conjunto de efeitos especiais gerados por computador, para os quais foram necessários anos de trabalho e o desenvolvimento de novas tecnologias que permitissem a criação de um universo imaginário e altamente estilizado, apresentado com um realismo que impressiona quando comparado com obras mais recentes.

Ao contrário do que tem sucedido em anos recentes, os produtores de “Avatar” apostaram claramente na exibição do filme em 3D, sendo a primeira vez (desde o início da década de 50) que um filme com estas características estreia em mais salas de cinema na versão de 3D do que na versão normal de 2D.

Aparentemente “Avatar” é uma obra de ficção científica, cuja acção nos transporta para o planeta Pandora durante o ano de 2154, onde o exército norte-americano explora os recursos minerais do planeta, contra a vontade dos seus habitantes, uma raça extra-terrestre com um código moral bastante superior aos dos invasores americanos. No entanto, o filme funciona como uma parábola ecologista, anti-imperialista e simultaneamente universalista, seguindo uma estrutura narrativa clássica, inspirada em obras como “A Flecha Quebrada” (1950), “O Apache Branco” (1952)“ ou “O Caçador de Índios” (1955), que contribuíram para a renovação temática do western americano durante a década de 1950.

Em “Avatar” James Cameron retrata os soldados norte-americanos como mercenários ao serviço de interesses económicos, estabelecendo um paralelismo histórico não só com a “conquista do Oeste”, e a chacina dos povos indígenas americanos, mas também com a guerra do Vietname e os bombardeamentos com Napalm, resultando numa obra onde é visível a influência de clássicos modernos como “Apocalypse Now” (1979) e “Danças com Lobos” (1990).

“Avatar” é portanto um filme enraizado numa certa tradição cinematográfica, mas que aponta simultaneamente novos caminhos para a 7ª Arte, e goste-se ou não da proposta estética que representa, trata-se de uma obra que irá certamente entrar história do cinema de Hollywood.

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