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A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome disse hoje à agência Lusa que a campanha contará com cerca de 39.500 voluntários, que “vão estar à porta dos supermercados a convidar o público a contribuir para as pessoas mais carenciadas da sua região”.

Pela primeira vez, a campanha irá decorrer em Cabo Verde, avançou Isabel Jonet, considerando “muito animador” a possibilidade de replicar o modelo do banco alimentar neste país e poder estendê-lo a outros países africanos.

Com a parceria da Fundação Donana, “foi possível organizar um banco alimentar e vamos fazer agora a primeira campanha em duas ilhas no mesmo modelo que se faz em Portugal”, explicou.

As expectativas de Isabel Jonet relativamente à nova campanha são que os portugueses “vão ser generosos” porque sabem que a situação “está pior para muitas famílias”.

“Provavelmente, cada pessoa dará menos, mas eu tenho a convicção de que haverá mais pessoas a dar”, sublinhou.

Neste momento, os 20 bancos alimentares apoiam diariamente 2.221 instituições de solidariedade social em todo o país, que ajudam 378 mil pessoas.

Nos últimos tempos, têm “aumentado muito os pedidos” das instituições e das pessoas, disse a responsável.

Isabel Jonet atribui esta situação ao facto de haver “muito mais pessoas desempregadas”: “Muitas delas têm créditos, estão sobre-endividadas e procuram ajuda das instituições”.

“Também se verifica que há alguns idosos que tiveram de acolher nas suas casas filhos e netos”. Por outro lado, com o aumento dos impostos diretos, como o IVA, as pessoas são “muito penalizadas”.

“É toda essa conjuntura que tem feito com que a pressão sobre as instituições de solidariedade tenha crescido muito nos últimos tempos”, frisou.

Para responder ao aumento da procura, os bancos alimentares “têm procurado aumentar a quantidade de produtos”, sendo inovadores.

Isabel Jonet deu o exemplo da campanha “Papel por alimentos”, que permite converter o papel doado em produtos alimentares básicos, como o leite, o azeite ou o atum. “Só no ano passado foram recolhidas 3.500 toneladas de papel, o que permite converter em muitos alimentos”.

A campanha de recolha de alimentos irá prosseguir até 09 de junho, através da “Ajuda Vale”, em que os portugueses podem contribuir com um vale que representa seis produtos básicos à alimentação, e do site www.alimenteestaideia.net, no qual podem fazer uma doação.

No ano passado, foram recolhidas cerca de 28.323 toneladas de alimentos (num valor estimado de 39.651 milhões de euros), num movimento médio de 113 toneladas por dia útil.

No total, foram ajudadas mais de 389.223 pessoas.

Na campanha de maio do ano passado, o Banco Alimentar Contra a Fome recolheu no Algarve 154 toneladas de alimentos, com a ajuda de cerca de 3.000 voluntários.

Quase 40% dos participantes num estudo da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra disseram ter passado um dia sem comer por falta de dinheiro, nos seis meses anteriores ao inquérito, e mais de metade referiu que o rendimento familiar “nunca é suficiente para viver”.

Perto de dois milhões de pessoas vivem em Portugal em situação de pobreza, das quais cerca de 160.000 não tinham, em 2012, capacidade financeira para uma refeição de carne ou peixe, pelo menos de dois em dois dias.

Lusa

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