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«Cristo enviou-me, não para baptizar, mas para evangelizar» (1 Cor, 1, 17)
Uma das situações mais desagradáveis que acontecem na vida de uma Paróquia, é quando no final das celebrações, aparecem na sacristia, como que ali caídas de paraquedas, umas pessoas que nunca ninguém viu, algumas nem paroquianas são e que vêm pedir sacramentos. Essas pessoas, são habitualmente “católicos” afastados, por vezes mesmo muito afastados da vida da Igreja e quase sempre, não existem as condições mínimas para que se lhes possa corresponder ao que pedem. Por mais que se lhes expliquem pacientemente as coisas, insistem, resistem e persistem teimosamente na sua: querem o sacramento! Porém, querem o sacramento, mas recusam a evangelização, recusam categoricamente qualquer proposta de catequese que lhes apresente.

Ainda há dias, se apresentaram três adultos e duas crianças: um casal que vive em união de facto com um filho de quatro anos para quem vinham pedir o Baptismo e uma senhora, casada civilmente, que se propunha ser madrinha e trazia com ela um filho de dez anos, que tinha sido baptizado e até tinha feito a primeira comunhão, mas já tinha abandonado a catequese. Quando foi dito à senhora que não poderia ser madrinha por a sua situação matrimonial não estar canonicamente regularizada, a senhora ficou muito espantada, pois entretanto já tinha sido madrinha quatro vezes em Paróquias que identificou. Interrogada se o filho de dez anos frequentava a catequese, respondeu que já tinha desistido. Convidada a criança a reingressar na catequese, a mãe protelou para o ano seguinte e a criança recusou liminarmente. É caso para perguntar como é que esta senhora foi e pretende voltar a ser madrinha de Baptismo, quando para o ser tem de prometer que está disposta a ajudar os pais da criança na missão de a educar na fé?!… Como pode ela prometer tal coisa em relação aos filhos dos outros, se não o faz com os seus próprios filhos, permitindo que uma criança de dez anos, decida que não quer ir à catequese e pronto, não quer, não vai!

Como vemos, a questão de ser padrinho ou madrinha vai muito para além da situação matrimonial de uma pessoa, pois se apesar dessa circunstância que pode ter muitas causas que deverão analisadas em concreto, a pessoa for um bom cristão, que eduque os seus filhos na fé, talvez até possa ser madrinha ou padrinho…

Aos pais da criança, face à idade da mesma, foi-lhes proposto que aguardassem que o menino completasse seis anos para então o inscreverem na catequese, e seria baptizado no contexto de um itinerário de iniciação cristã, por ocasião da celebração da primeira comunhão. Imediatamente a mãe recusou, pois, disse, se era para ser baptizado aos dez anos, então esperaria pelos dezoito e aí seria o próprio a fazer a sua opção, se queria ou não queria ser baptizado! O pai ainda aceitava que o filho fosse para a catequese aos seis anos, mas a mãe logo disse que não, pois não tinham tempo para o trazer, nem ao Sábado nem ao Domingo! Como compaginar esta confissão prévia de que a criança não iria ser educada na fé, nem sequer iria frequentar a catequese, com o compromisso que os pais assumem no dia do Baptismo dos filhos de que os irão educar na fé?!…

Face a estas situações, só podemos responder como São Paulo: «Cristo enviou-me, não para baptizar, mas para evangelizar» (1 Cor, 1, 17). Quem recusa a evangelização, quem recusa a iniciação cristã que a catequese oferece, não tem qualquer direito a receber o sacramento. O sacramento não é um ato mágico, nem tão pouco pode ser celebrado apenas porque é da tradição. Não nos podemos satisfazer em ser cristãos por tradição, temos de ser cristãos em permanente processo de conversão!

Por vezes certos pastores da Igreja tem dificuldade em dizer que não a estas pessoas, por pensarem que não estarão a ser suficientemente misericordiosos e baptizam apesar de tudo. Não podemos esquecer que muitos foram os que procuraram Jesus e lhes viraram as costas por não aceitarem as suas propostas, por exemplo o “jovem rico”. Quem hoje recusa a evangelização da Igreja, recusa a catequese, recusa a conversão interior, está igualmente a recusar Jesus. Que sentido faz dar-lhes um sacramento? O “jovem rico” foi embora e Jesus deixou-o ir!

Luís Galante
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