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O primeiro erro surgiu logo aos 10 minutos, com o jogo ainda indefinido, quando o guarda-redes Nuno Espírito Santo deixou escapar das mãos para o fundo das redes um remate inofensivo de Ruben Amorim.

Se o Benfica já entrou emocionalmente “por cima” sobre o FC Porto, por força do momento que vive, mais ficou com este golo em circunstâncias esquisitas, que marcam sempre uma equipa, mais ainda quando esta vive um período negativo em termos saúde anímica para poder dar a volta ao jogo.

Os seus jogadores bem tentaram reagir, mas fizeram-no sempre em esforço e sem discernimento, o que foi notório em vários futebolistas do FC Porto, face às suas reações “à flor da pele”, fosse ao mínimo contacto físico ou às decisões do árbitro.

Os casos mais flagrantes do destempero emocional portista foram os de Ruben Micael, Raul Meireles e Bruno Alves, mas a equipa mostrou-se, toda ela, intranquila e nervosa.

O segundo erro crasso ocorreu noutro momento delicado do jogo, à beira do intervalo, com Nuno a ter responsabilidades de novo: a barreira portista ficou curta e permitiu que o remate de Carlos Martins, desferido a 25 metros da baliza, descrevesse uma trajetória direta até ao fundo das redes, sem necessidade de fazer a bola passar por cima dela.

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, alterou a estrutura habitual da equipa, o 4x1x3x2, por um 4x4x1x1, de modo a encaixar na equipa do FC Porto, tirando partido das limitadas opções de Jesualdo Ferreira.

Com as lesões de Mariano e Varela, o treinador portista optou por um esquema em losango no meio campo, com Fernando e Ruben Micael nos vértices defensivo e ofensivo e Raul Meireles e Bellushi nos laterais, com o argentino a “abrir à direita”, como falso ala, quando a equipa se organizava no ataque.

Jesus deu-se ao luxo de deixar no banco quatro titulares indiscutíveis, Javi Garcia, Ramires, Saviola e Cardozo, explorando o momento alto que a equipa vive em termos de autoconfiança e motivação depois da eliminação do Marselha nos oitavos de final da Liga Europa.

De resto, foi notório desde o início do jogo o contraste no estado emocional das duas equipas – os do FC Porto tensos e nervosos, os do Benfica a quem tudo saía com mais fluidez e espontaneidade -, fator que acabou por pesar muito nesta final.

Na segunda parte bastou ao Benfica, com dois golos de avanço, gerir a vantagem e controlar um FC Porto que nunca mostrou capacidade para dar a volta ao jogo, apesar das entradas de Fucile (troca direta com Miguel Lopes) e Valeri (para a saída do nervoso Ruben Micael).

A vinte minutos do fim, Jesualdo Ferreira ainda jogou uma última cartada, com a entrada do jovem avançado Orlando Sá, mas o Benfica nunca deixou de ter o jogo sob controlo.

Jesus ainda fez rodar três dos quatro titulares que deixou no banco, com um deles, Cardozo, a entrar a tempo de assinar o terceiro golo já em período de compensações, aos 90+2 minutos.

O FC Porto bateu-se com dignidade, mas neste momento parece não ter condições para se bater de igual para igual com o Benfica.

Ficha do jogo

Jogo disputado no Estádio do Algarve.
Benfica-FC Porto, 3-0.

Ao intervalo: 2-0.

Marcadores:
1-0, Ruben Amorim, 10 minutos.
2-0, Carlos Martins, 45.
3-0, Cardozo, 90+2.

Equipas:
– Benfica: Quim, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Airton, Ruben Amorim, Carlos Martins (Ramires, 67), Pablo Aimar (Saviola, 62), Di Maria e Alan Kardec (Cardozo, 77).
(Suplentes: Moreira, Javi Garcia, Cardozo, Ramires, Nuno Gomes, Sidnei e Saviola).
– FC Porto: Nuno, Miguel Lopes (Fucile, 46), Rolando, Bruno Alves, Álvaro Pereira, Fernando, Raul Meireles, Ruben Micael (Valeri, 46), Belluschi (Orlando Sá, 71), Cristian Rodriguez e Falcao.
(Suplentes: Beto, Guarín, Valeri, Fucile, Maicon, Tomás Costa e Orlando Sá).

Árbitro: Jorge Sousa (Porto).
Acção disciplinar: cartão amarelo para Miguel Lopes (10), Bellushi (38), Maxi Pereira (39), Bruno Alves (45+1), Aimar (45+1), Raul Meireles (51), Fábio Coentrão (85) e Ramires (89).
Assistência: 23 430 espetadores.

Lusa

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