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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

O Papa Francisco pediu aos bispos portugueses propostas convincentes para os jovens, exprimindo a sua preocupação com a “debandada da juventude” na Igreja depois do sacramento do Crisma e alertando para “um vazio na oferta paroquial de formação cristã juvenil” que deve ser preenchido. Francisco recomendou assim que o processo de catequese deve passar do “modelo escolar/doutrinal ao catecumenal”, ou seja, “não apenas conhecimentos cerebrais, mas encontro pessoal com Jesus Cristo, vivido em dinâmica vocacional segundo a qual Deus chama e o ser humano responde”.

D. Manuel Quintas, em declarações ao Folha do Domingo, lembra que esta constatação parte da preocupação que cada bispo levou ao Papa, através do extenso relatório sobre a vida da sua diocese. “O que fazer com a juventude que abandona a comunidade, ainda que de maneira não definitiva, após o Crisma?”, questiona o prelado, considerando haver “muito fatores que contribuem para isso”, alguns deles elencados por Francisco na sua mensagem. “Lembrou-nos que os jovens estão a crescer, confrontando-se com muita instabilidade a nível pessoal, académico e profissional, com dificuldades de inserção eclesial noutros ambientes. É importante que nunca percam de vista a comunidade, que os acolheu e ajudou a crescer na fé; é importante que a comunidade também não desista deles, de modo que nela encontrem sempre acolhimento e compreensão para a fase da vida que estão a atravessar”. “Que o seu abandono não seja motivo para que se sintam rejeitados, não acolhidos, ou mesmo julgados e condenados”, sustentou.

“Como nos pede o Papa, as nossas comunidades têm de ser mais criativas, escutando e envolvendo os próprios jovens na procura de respostas que contrariem esta tendência. O Crisma não pode transformar-se no sacramento da «despedida», mas sim, fortalecidos e impelidos pelo Espírito, no sacramento do envio, do testemunho cristão, do serviço e da integração adulta na comunidade”, acrescenta.

Conclui, a este propósito, o Bispo do Algarve, que, tal como aconteceu na visita ad limina de 2007, a Conferência Episcopal deve prosseguir, possivelmente já na Assembleia Plenária de novembro próximo, o caminho sinodal então iniciado e procurar respostas conjuntas para o conjunto dos apelos que o Papa Francisco lançou à Igreja em Portugal.

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