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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O bispo do Algarve voltou a pedir aos Centros Paroquiais e outras instituições sociais da Igreja algarvia que se mantenham fiéis à sua identidade, aludindo à sua “justa autonomia sobre a gestão, a eclesialidade e a sustentabilidade”.

O apelo, que já tinha sido feito em 2012 no primeiro encontro daquelas instituições, foi repetido na última edição que teve lugar na passada terça-feira no Complexo Social do Centro Paroquial de Cachopo.

Para além de alertar para o perigo de “desvirtuar a identidade e essência da própria Igreja”, D. Manuel Quintas deixou um pedido claro àquelas instituições: “nunca abdicar da identidade e autonomia próprias”. “Perder a própria identidade e deixar que se dilua aquilo que é específico é um empobrecimento e um nivelamento por baixo”, advertiu o prelado, lembrando que as instituições particulares de solidariedade social (IPSS) da Igreja não são iguais às outras. “Para além da lei, temos a nossa identidade que é aquilo que nos distingue dentro das IPSS. Se nos falta isso, andamos desencontrados e aos encontrões. É um ideário que inspira a nossa ação”, sustentou.

O bispo do Algarve começou mesmo o encontro pedindo àqueles responsáveis que não vejam a ação das suas instituições “apenas com a frieza que está sempre ligada à lei”. “Aquilo que executaremos terá sempre como objetivo o serviço que prestamos a pessoas muito concretas”, advertiu, pedindo que se evite “que a estrutura reduza as pessoas a números”, “que o funcionalismo e a incompetência desumanizem e desclassifiquem os serviços” e que a “prioridade de acesso” seja dada “a quem mais precisa e a quem é mais carenciado”. “O objetivo de tudo aquilo que programamos e projetamos deve ser a promoção integral dos utentes, mesmo na situação de limitação em que se encontram”, completou, acrescentando que “a sensibilidade social e o dinamismo eclesial devia ser um slogan destas instituições”.

D. Manuel Quintas lembrou que “a ação social da Igreja exerce-se não só através de um amplo e diferenciado leque de instituições sociocaritativas apoiadas pelo Estado” e que “os Centros Sociais Paroquiais não têm o exclusivo da ação sociocaritativa”. “A ação sociocaritativa da Igreja está para além daquela que é prestada por estas instituições”, recordou, considerando que a Igreja algarvia “seria muito mais empobrecida e deficitária se não tivesse os Centros Sociais Paroquiais.

O bispo diocesano acrescentou que “a caridade não é uma espécie de atividade de assistência social, pertence à natureza da Igreja”, mas “expressão irrenunciável da sua própria essência”. “Não somos obrigados a fazer aquilo que o Estado não faz, temos o dever”, complementou, considerando que “o Estado não faz mais do que o seu dever ao apoiar”.

Na sua intervenção sobre os princípios inspiradores e dinamizadores do serviço eclesial daquelas instituições e a problemática envolvente, o prelado lembrou que a Pastoral Social é um dos três pilares da ação da Igreja, juntamente com a Pastoral Profética (anúncio da palavra de Deus) e a Pastoral Litúrgica (celebração da fé). “Palavra, sem serviço fraterno, é estéril. Serviço fraterno, sem o anúncio, é filantropia. Celebração, sem serviço fraterno, é ritualismo vazio”, alertou, considerando que um centro social paroquial “nunca devia desligar-se da comunidade” e também “não deve substituir aquela que é a responsabilidade de cada cristão na ação sóciocaritativa”, embora esta seja “uma expressão da própria comunidade”, pois “é a partir da própria comunidade que se visibiliza aquilo que é a missão da Igreja neste sector”.

D. Manuel Quintas, que aludiu à contextualização teológica e histórica da ação social da Igreja, apresentou o panorama dos Centros Sociais paroquiais em Portugal, os seus valores cristãos, os princípios da sua matriz cristã e os princípios inspiradores, sublinhou que “os aspetos positivos da institucionalização devem ser realçados e considerados” porque “a institucionalização veio dar estabilidade, qualidade de serviços e cooperação entre parceiros sociais”.

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