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Brexit: Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que saída desordenada e sem medidas seria “alimento” para críticos da UE

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse na quarta-feira em Loulé que se não houvesse medidas para evitar um ‘Brexit’ desordenado, isso representaria um “alimento muito generoso” para todos os que são contra a União Europeia.

“[A ausência de medidas] significaria o caos do ponto de vista económico, mas significaria também um alimento muito generoso para todas as correntes que na Europa e no mundo apostam na desintegração da União Europeia”, declarou.

Augusto Santos Silva, que falava em Loulé, durante uma iniciativa aberta do PS dedicada ao tema do ‘Brexit’, sublinhou que “qualquer displicência” dos Estados-membros “em relação ao cenário de caos será paga em dobrado, se não em triplo, nas próximas eleições europeias, porque isso servirá de argumento, meses e meses a fio, para aqueles que querem destruir a União Europeia”.

Falando para uma sala cheia, também ocupada por alguns britânicos, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse ainda que o “pânico é o pior inimigo da política democrática” e que “é muito fácil de criar”, aludindo a uma reportagem sobre a venda de ‘kits’ de sobrevivência no Reino Unido perante a iminência do caos nas fronteiras.

“Neste momento, as reportagens televisivas ainda estão no capítulo da graça (…), mas quando isso passar da secção das graças e das curiosidades para a abertura dos serviços noticiosos, o pânico é muito fácil de gerar”, referiu o governante.

Dirigindo-se aos britânicos presentes, Santos Silva reiterou que o período para o registo dos cidadãos britânicos em Portugal decorrerá até ao final de 2020, mas apelou para que o façam o quanto antes, de preferência até 29 de março, estimando que haja ainda cerca de 15.000 cidadãos do Reino Unido não registados no país.

No final da sua intervenção, o governante respondeu a algumas questões da plateia, em português e em inglês, tranquilizando todos aqueles que levantaram dúvidas burocráticas, na sua maioria relacionadas com documentos como a carta de condução ou o título de residência, bem como com receios de maior dificuldade em entrar no país através dos aeroportos.

O parlamento britânico reprovou na terça-feira de forma expressiva o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo da primeira-ministra, Theresa May, com Bruxelas, com 432 votos contra e 202 a favor.

Uma desvantagem de 230 votos, sendo que 118 dos votos contra foram de deputados do próprio partido Conservador da primeira-ministra.

Entretanto, na quarta-feira, os deputados britânicos rejeitaram a moção de censura contra o Governo de Theresa May, com 306 deputados a votarem a favor da moção de censura e 325 contra, numa diferença de apenas 19 votos.

A dois meses e meio da data prevista para a saída, 29 de março, o processo fica agora com um futuro incerto.

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