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Foto © EPA/Olivier Hoslet
Foto © EPA/Olivier Hoslet

Alguns cidadãos britânicos residentes no Algarve manifestaram-se apreensivos quanto ao futuro do Reino Unido, mas acreditam que o resultado do referendo não impedirá a sua permanência em Portugal.

“A situação é muito confusa e preocupante, pois não se sabe como vai ser o futuro do país e das pessoas”, disse à agência Lusa James Goodwing, um cidadão britânico residente há 12 anos em Alvor.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair da União Europeia, depois de o ‘Brexit’ ter conquistado 51,9 por cento dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%.

Na opinião de James Goodwing, o resultado do referendo que ditou a saída da União Europeia “criou muitas incertezas aos cidadãos britânicos, nomeadamente na sua relação com os países da União Europeia”, mas acredita que “não irá afetar a vida de quem decidiu viver num país estrangeiro”.

“Acredito que os países da Europa não criem problemas à entrada e permanência de cidadãos britânicos”, observou.

Por seu turno, Wendy Olson, que reside no Algarve há vários anos, partilha da mesma opinião: “Há muitas incertezas sobre o futuro da circulação dos cidadãos britânicos na Europa, mas acredito não haver risco para a permanência dos cidadãos britânicos nos países em que decidiram viver”.

Wendy Olson reiterou a vontade de permanecer em Portugal, “país onde se sente bem-vinda” e lamentou que o Reino Unido “possa não ter a mesma atitude para com os portugueses que ali vivem e trabalham”.

Charles Backeer, engenheiro reformado, a viver há cerca de sete anos no Algarve, disse à Lusa que o referendo “foi uma brincadeira de mau gosto que serviu para dividir a população britânica, e que pode levar à desagregação do país”.

“A população está dividida e agora há uma grande incerteza”, observou Backeer, manifestando-se convencido de que “a decisão do referendo não afete os cidadãos britânicos que vivem fora do Reino Unido”.

“Acredito que o resultado do referendo possa ter algumas consequências para os cidadãos britânicos, mas estamos na expetativa que não coloquem em risco a permanência daqueles que decidiram viver em países estrangeiros”, concluiu Charles Backeer.

Por seu turno, o diretor executivo da Associação de Proprietários Estrangeiros em Portugal (AFPOP), Michael Reeve, manifestou-se “surpreendido e triste com o resultado do referendo, que veio lançar muitas incertezas sobre a livre circulação de pessoas e bens britânicos na Europa”.

“A saída da União Europeia é uma decisão errada que pode criar problemas, principalmente ao nível administrativo na relação com os países da Europa, mas ninguém sabe ainda muito bem o que poderá acontecer”, referiu aquele responsável da associação sedeada em Portimão.

Michael Reeve crê que “as mudanças nas regras e na relação entre o Reino Unido e alguns países da União Europeia possam ser pouco significativas”, acrescentando que “os cidadãos britânicos que residem e têm negócios em Portugal, estão confiantes que a sua permanência não seja colocada em causa”.

“Não creio que possam existir grandes alterações, mas o futuro é uma incerteza”, concluiu.

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