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A Câmara de Castro Marim pediu hoje a suspensão de portagens na Via do Infante (A22) enquanto não terminam as obras da Ponte Internacional sobre o rio Guadiana, que liga o Algarve à região espanhola da Andaluzia.

A autarquia algarvia, de maioria PSD, recordou que as obras de reabilitação na ponte sobre o rio que estabelece a fronteira entre Portugal e Espanha a sul estão em curso “desde junho de 2017”, tiveram conclusão prevista para “novembro de 2018” e esse prazo “já foi largamente ultrapassado”.

O município do distrito de Faro argumentou ainda num comunicado que as obras em curso entraram numa “nova fase que se prevê que dure mais de um ano” e vão criar “novos condicionalismos de trânsito, que resultam na circulação automóvel numa única faixa em cada sentido”, como comunicou a Infraestruturas de Portugal (IP) à autarquia.

A IP, empresa que gere a rede viária portuguesa, já tinha revisto o calendário da obra em abril e comunicado publicamente que os trabalhos, com conclusão inicialmente prevista para 2018, só iriam ser concluídos no final do ano de 2020, devido a problemas com um empreiteiro e a danos detetados nos tirantes que obrigavam a alargar as obras por mais cerca dois anos.

“Esta é uma situação que nos deixa largamente preocupados, porque resulta efetivamente num novo estrangulamento a acrescentar àquele que já era provocado pelo pagamento de portagens na Via do Infante”, considerou a Câmara de Castro Marim.

O município teme que estas condicionantes tenham “consequências gravosas” para “o turismo, a atividade económica e a mobilidade neste espaço intercidades”, que faz a ligação entre os três municípios da fronteira sul luso-espanhola, ligando Castro Marim e Ayamonte (Espanha).

As consequências deverão também ser sentidas, segundo a autarquia, na restante região algarvia, por a ponte ser “uma das principais portas de entrada do setor turístico” no Algarve e por o sistema de pagamento de portagens eletrónicas da A22 estar instalado junto à ponte, obrigando os veículos estrangeiros a uma paragem nas máquinas de pagamento, após passarem pelos condicionalismos do tráfego no tabuleiro.

“Por estas razões, o município de Castro Marim apela ao Governo para a suspensão das portagens da Via do Infante enquanto durarem as obras de requalificação da Ponte Internacional do Guadiana, como uma medida de elementar justiça para Castro Marim e para o Algarve em geral”, referiu.

Em abril de 2019, a IP revelou que as obras na ponte internacional do Guadiana, anunciadas em junho de 2017 pelo então ministro do Planeamento, Pedro Marques, e o homólogo espanhol, com prazo de execução previsto de 525 dias, tinham registado problemas com um empreiteiro e iriam ser alargadas até final de 2020, depois de também terem sido detetados problemas nos tirantes.

A nova data de finalização da requalificação da ponte foi avançada na ocasião à agência Lusa pela IP, depois de ser questionada pelo alcance de uma portaria publicada em 11 de abril em Diário da República que autorizava a empresa “a proceder à repartição de Encargos relativos ao contrato da empreitada ‘IP1, KM 132+500, Ponte Internacional sobre o Rio Guadiana. Substituição do sistema de tirantes’”.

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