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OlhaoA Câmara de Olhão abandonou o projeto de construção de uma torre de 21 metros no local onde está um edifício do século XVIII, prevista na proposta de Plano de Pormenor da Zona Histórica da cidade, disse o presidente.

A torre, que tinha uma altura prevista de 21 metros e foi incluída na proposta de Plano de Pormenor submetido à discussão pública, que terminou na segunda-feira, funcionaria como um miradouro com vista privilegiada sobre centro histórico e a sua arquitetura cubista de açoteias, mirantes e contra mirantes, explicou à agência Lusa o presidente da câmara algarvia, António Pina.

Contudo, a contestação popular levou a autarquia a ponderar o projeto e “a retirá-lo do Plano de Pormenor da Zona Histórica, sem abdicar de, no futuro, ser criada uma estrutura que permita aos olhanenses e aos turistas verem essa marca característica do centro histórico”, justificou o autarca de Olhão, no distrito de Faro.

“O projeto desta torre já teve o mérito de pôr os olhanenses a discutir esta matéria, porque fala-se muito da arquitetura cubista, mas Olhão não tem um espaço que permita visualizar essa marca do centro histórico”, considerou o autarca.

António Pina espera que a discussão sobre o assunto possa permitir encontrar um local, já fora da proposta de plano de pormenor, que permita cumprir estes objetivos.

“Vamos debater e ver como isso pode ser feito. Uma alternativa seria criar condições na torre da Igreja para possibilitar isso”, exemplificou, frisando que nada está decidido e que o debate é “importante” para que se possa chegar a um consenso.

Segundo o arquiteto Filipe Monteiro, um dos opositores à construção da torre, a opinião de grande maioria das pessoas que participou no período de discussão pública da proposta é a de que deve ser dada uma utilização “condigna” ao edifício inicialmente previsto demolir para aí construir a torre.

De acordo com as sugestões recolhidas, o edifício do século XVIII, propriedade da autarquia e onde funcionam atualmente os serviços sociais, poderia ter como finalidade a de albergar o Centro Cultural previsto para o Largo João da Carma, ou qualquer outra “recuperando e mantendo o edifício no seu original”.

A proposta de Plano de Pormenor da Zona Histórica de Olhão foi defendida pelos seus promotores como um “documento aberto”, que podia “ser melhorado”, na apresentação pública realizada na passada semana, que ficou marcada pela contestação popular.

Questões como uma maior dimensão de edifícios, a salvaguarda de edificações históricas e típicas, a substituição de calçadas típicas por outros pisos ou a construção da torre de 21 metros foram contestadas pela plateia de cerca de uma centena de pessoas, muitas delas estrangeiras residentes na cidade.

A equipa da Baixa Atelier, escritório de arquitetura que elaborou o plano, focou os principais pontos do documento, que visa “salvaguardar as características arquitetónicas dos edifícios” da zona histórica, sobretudo dos bairros mais tradicionais da Barreta e Levante, com intervenções no espaço público que permitam “colocar as infraestruturas nas novas exigências do século XXI”.

Para alcançar este último objetivo, o plano prevê a abertura das ruas para colocar debaixo do solo todas as infraestruturas de águas, esgotos e telecomunicações, a criação de novas dinâmicas na atividade económica de algumas zonas da zona histórica e abertura de possibilidades de financiamento através de candidaturas a fundos para a requalificação do imobiliário privado.

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