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Em declarações à Lusa, os cabeças de lista do PS, PSD, BE, CDS-PP e CDU pelo círculo eleitoral de Faro consideraram que o desemprego, que atingiu no Algarve uma taxa de 14,8 por cento no último trimestre de 2010, é um dos principais problemas da região, que não pode viver apenas da monocultura turística, apesar da grande importância que o setor tem na economia local e nacional.

João Soares afirmou que “boa parte da frota de pesca e da agricultura tradicional foi desarticulada por uma política de subsídio europeu, numa lógica que não acautelou devidamente os interesses nacionais” e “é fundamental acelerar dinâmicas de progresso” nestes setores.

O cabeça de lista socialista, que repete a candidatura de 2009, recordou que a sazonalidade do turismo também influencia o desemprego e deve haver uma aposta na diversificação da oferta sol e praia, “explorando importantes nichos de mercado que ainda não estão suficientemente desenvolvidos”.

Para o cabeça de lista do PSD, Mendes Bota, “a intervenção política não pode deixar de se centrar no combate pelo investimento e pelo desenvolvimento económico gerador de emprego” e, apesar de a atividade turística “ser o setor económico mais pujante” e “representar uma fonte de receita importante”, o Algarve “não pode viver exclusivamente do Turismo”.

“Os chamados setores tradicionais, à míngua de investimentos nos últimos anos, decaíram e acentuaram os desequilíbrios. Assim, o chamado setor primário tem de ser reabilitado no Algarve”, defendeu, frisando que a agricultura, pesca, construção e reparação naval ou a náutica de recreio podem “ajudar a reduzir o desemprego e a dependência excessiva do Turismo”.

Cecília Honório, cabeça de lista do BE, considera que “o Algarve é vítima de um desinvestimento público há muito tempo” e “não há uma estratégia política para a diversificação económica da região”, que tem “o seu tecido produtivo completamente destroçado”, sendo este “um dos maiores problemas”.

"O Algarve é hoje uma região abandonada”, disse Cecília Honório, apontando a “necessidade de um plano de emergência para ultrapassar a crise económica e social na região”, com um “investimento público credível” e “apoios à criação de emprego, nomeadamente dos desempregados de longa duração e dos jovens qualificados”.

Já o número um da lista do CDS-PP, Artur Rêgo, criticou a “falta de apoio e de medidas concretas para combater o desemprego no Algarve” por parte do Governo e recordou que propôs na Assembleia da República medidas para inverter a tendência que incidiam nos “principais vetores da economia do Algarve – turismo, Serviços e pescas e agricultura”.

As normas do Plano Regional de Ordenamento do Território têm que ser revistas para “eliminar as normas que impedem a construção no interior do Algarve, desertificando-o”, disse ainda Artur Rêgo.

Por seu turno, Paulo Sá (CDU), disse que “quando uma região coloca todos os ovos no cesto do Turismo e havendo uma crise internacional, imediatamente o desemprego dispara por causa da monocultura”.

Em 2009, dos 10 deputados eleitos, PS e PSD tiveram cada um três lugares, enquanto que CDS e BE obtiveram apenas um eleito. Nestas eleições, o círculo de Faro passa a ter mais um deputado.

Lusa

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