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Cáritas do Algarve já recebeu 101 mil 611 euros para as vítimas do incêndio de Monchique

Foto © Filipe Farinha/Lusa

No âmbito do peditório de 18 e 19 de agosto que a Diocese do Algarve decidiu destinar para “os mais carenciados” que foram vítimas do incêndio que naquele mês assolou os concelhos de Monchique, Silves e Portimão foram contabilizados até ao momento 40.831 euros, faltando apurar ainda o valor recolhido em 13 das 78 paróquias, três vicariatos e uma capelania que constituem a diocese algarvia.

A somar a este valor há ainda os donativos de outra natureza que totalizam até agora 60.780 euros, com destaque para o contributo do Santuário de Fátima (30 mil euros) e da Irmandade dos Clérigos, na Diocese do Porto (25 mil euros), mas também para a contribuição da paróquia transmontana de Mazouco (340 euros) e da Igreja Luterana alemã no Algarve (300 euros).

Em declarações ao Folha do Domingo, o presidente da Cáritas do Algarve considera que “a resposta foi muito positiva”. “Estou satisfeito porque a maior parte das paróquias colaborou”, disse Carlos Oliveira, explicando que “houve muita gente” que, sabendo da intenção de ajudar as vítimas mais carenciadas do fogo, “quis colaborar e depositou diretamente na conta da Cáritas”. “Quando tivermos a totalidade das respostas das comunidades paroquiais, encerraremos e daremos conta de tudo. Quando se iniciar a comparticipação financeira da Cáritas, todas as ajudas serão divulgadas, difundidas e comunicadas”, garantiu aquele responsável.

Após a primeira reunião em que a Diocese do Algarve decidiu avançar, através da Cáritas Diocesana, com a ajuda à população, houve mais dois encontros no mês de agosto para estabelecer os contornos dessa ajuda, um com o presidente da Junta de Freguesia de Alferce e um último com o presidente da Câmara de Monchique.

Nessas reuniões foi indicado que das 74 casas ardidas, 33 eram de primeira habitação. Dessas, 20 ficaram “totalmente destruídas”, cinco “parcialmente destruídas” e oito “com alguns elementos destruídos”, num total de 40 pessoas desalojadas. Foi também garantido que os apoios para substituição de equipamentos agrícolas e para reposição de linhas de água destruídos foram logo assegurados por serem prioritários.

Ficou ainda definido que a Cáritas do Algarve irá assinar um protocolo com a Câmara Municipal. “Vamos estabelecer um acordo de cooperação e de colaboração com a Câmara onde vai estar inscrito tudo aquilo que vamos apoiar, pessoa a pessoa, valor a valor, com as responsabilidades de cada uma das partes”, adiantou Carlos Oliveira, que fez questão de deixar claro que o contrato que será firmado entre as duas partes será distinto daquele que a autarquia terá com o Ministério do Ambiente.

Segundo o presidente da Cáritas do Algarve, o protocolo será formalizado quando a edilidade apresentar o estudo social das famílias afetadas pelo fogo, o que espera que possa acontecer “o mais rápido possível”.

Aquele dirigente disse ainda que a Cáritas analisará esse estudo com uma comissão de acompanhamento da paróquia local, constituída pelo diácono Manuel Chula e por mais dois elementos do Conselho Económico paroquial.

Concretamente sobre a ajuda que a Cáritas algarvia dará às famílias mais necessitadas, o presidente daquela organização da Igreja Católica adiantou que a mesma deverá incluir a reconstrução de habitações, para além do seu reequipamento com novas mobílias e novos eletrodomésticos não incluído no programa ‘Porta de Entrada’, criado pelo Estado depois do incêndio de Pedrógão. Carlos Oliveira explicou que a comparticipação da Cáritas na reconstrução será para a percentagem – entre os 25% e os 40% – preconizada no novo enquadramento legal, que estabelece que cada proprietário participe na reedificação da própria casa, conforme os rendimentos que aufere.

De acordo com a nova legislação, a Cáritas não poderá repetir o que fez em 2003 quando assumiu a reconstrução de 12 casas no concelho de Monchique e uma no de Portimão, tendo procedido à sua devolução diretamente aos proprietários depois de concluída a obra. Agora, a instituição fará a entrega aos proprietários da quantia correspondente ao valor comprovado da intervenção.

Relativamente ao recheio das habitações, que garantiu haver “particulares interessados em apadrinhar”, Carlos Oliveira disse que será um processo que a Cáritas irá “submeter a concurso” “junto de várias empresas”, apelando à sua responsabilidade social.

O incêndio de Monchique – o maior da Europa em área ardida desde o início do ano – foi combatido por mais de mil operacionais, destruiu perto de 28 mil hectares de floresta e terrenos agrícolas e deflagrou no dia 03 de agosto, tendo sido dominado no dia 10.

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