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A Cáritas Diocesana do Algarve disponibilizou uma linha de financiamento de 50 mil euros para apoiar as vítimas da atual crise económica provocada pela covid-19.

A linha de financiamento, sugerida pelo bispo do Algarve, é constituída por fundos próprios provenientes do peditório público anual, do peditório anual nas igrejas e da campanha de Natal ’10 milhões de estrelas – um gesto pela Paz’, cuja verba total angariada anualmente ronda os 18 mil euros, segundo explicou ao Folha do Domingo o presidente da Cáritas algarvia, Carlos Oliveira. Destas três iniciativas, só a campanha de Natal se realizou no último ano, uma vez que os peditórios que decorreriam em 2020 tiveram de ser cancelados devido à pandemia.

A linha de financiamento apoiará os pedidos de ajuda provenientes de três campanhas lançadas há cerca de três semanas pela instituição da Igreja Católica, duas para serem implementadas pelas paróquias, através das crianças e jovens da catequese e dos agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas (CNE) e pelas famílias em articulação com os grupos sociocaritativos paroquiais – Cáritas Paroquiais, Conferências Vicentinas, entre outros –, e outra, promovida em parceria com a Capelania da Universidade do Algarve, para ser dinamizada pelos universitários.

Estas iniciativas surgem na sequência da nota pastoral do bispo do Algarve, de agosto passado, no âmbito da resposta à crise provocada pela pandemia, na qual pedia que se avaliasse a necessidade da reestruturação do serviço sociocaritativo da Igreja algarvia. D. Manuel Quintas exortou a Cáritas Diocesana e o Departamento de Pastoral Social “a coordenar e a implementar ainda mais este serviço na Diocese”.

As campanhas têm como objetivo a recolha de alimentos, produtos de higiene e de material escolar, mas também o pagamento de rendas de casa ou despesas de alojamento, medicação, propinas ou contas da água,da luz ou do gás. Enquanto que as campanhas de produtos serão dinamizadas nas paróquias segundo o critério e a criatividade de cada grupo, os casos que envolvam ajudas no pagamento de contas que as estruturas paroquiais de apoio social não consigam assumir serão remetidos para a linha de financiamento da Cáritas Diocesana, através de formulário próprio.

Carlos Oliveira diz ser preciso “alargar o âmbito de ação” das iniciativas que não pretendem apoiar apenas famílias que fazem parte das paróquias. A campanha “Colega a Colega”, que será levada a cabo pelas crianças da catequese, grupos de jovens e escuteiros dos agrupamentos do CNE, tem como objetivo a recolha de alimentos, produtos de higiene e material escolar para colegas que identifiquem, no contexto paroquial ou escolar, com necessidades.

O mesmo acontecerá na campanha “Vizinho a Vizinho” dirigida às famílias para apoio de outras a precisar de ajuda que identifiquem na sua área de residência, mas também no trabalho ou nas relações sociais que têm fora do trabalho ou da família.

O presidente da Cáritas algarvia explicou que a ideia das campanhas surgiu através do Secretariado da Pastoral Escolar da Diocese do Algarve, numa reunião de secretariados para preparação do ano pastoral. “Servindo-nos desse exemplo, quisemos criar uma abrangência maior, adaptando às paróquias porque era importante dar resposta à reestruturação dos grupos de ação sociocaritativa”, explica Carlos Oliveira.

Relativamente à campanha para o meio universitário, intitulada “Linha da Frente Universitária”, aquele dirigente diz que ela foi pensada porque “já desde há 3 ou 4 anos que havia pedidos” de apoio na Cáritas para pagamento de propinas por parte de estudantes portugueses e luso-africanos. O presidente da instituição lembra que “os serviços académicos também contemplam este tipo de apoios” e, por isso, “não poderá haver uma duplicidade” de ajudas.

Aquele dirigente explica ainda que não há prazo previsto para o fim das campanhas e que não haverá a conta bancária aberta para contribuição financeira, mas lembra que as pessoas poderão fazer donativos.

A Cáritas reafirma a importância de as paróquias lhe fazerem chegar o número de atendimentos que fazem e dos apoios que dão às famílias. Carlos Oliveira realça que as Cáritas Paroquiais, tal como a Cáritas Diocesana, apesar da limitação em temos de pessoal, “nunca interromperam os apoios durante a pandemia” e contou que no início da pandemia houve muitos pedidos de apoio para avio de receitas médicas “porque as pessoas se sentiam deprimidas”.

Atualmente, a Cáritas Diocesana está a apoiar semanalmente 35 famílias, num total de 89 pessoas, com produtos frescos e secos provenientes do Banco Alimentar Contra a Fome e de doações, particularmente de “dois estabelecimentos comerciais de renome nacional que todos os dias fazem entrega de alimentos e produtos”. São ainda ajudados mais 73 agregados familiares, num total de 230 pessoas, com os alimentos provenientes do FEAC – Fundo Europeu de Apoio a Carenciados.

“Numa das últimas quintas-feiras, em duas horas atendemos 39 famílias”, testemunha Carlos Oliveira, garantindo que os novos pedidos de ajuda tiveram um aumento de cerca de 63% desde o início da pandemia e que as pessoas procuravam sobretudo apoio à alimentação. Aquele responsável teme que esta percentagem continue a aumentar com o aumento do desemprego no setor do turismo. “70% dos hotéis vão fechar agora, o que significa que vai haver um elevado nível de desemprego”, constata, lembrando que “a fonte de rendimento diminui e para que possa haver dinheiro nas famílias para alimentação e para comprar alguma peça de roupa, elas vão retirar do dinheiro que seria para pagar a renda da casa, a água, a luz e o gás”. “Não sei se esta crise se prolongará tanto no tempo, mas é mais brusca do que a anterior. A outra foi ao longo de anos. Esta, no espaço de seis meses, deixou as famílias sem rendimentos”, testemunha.

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