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Cáritas Portuguesa apresentou na Universidade do Algarve projeto com 144 candidaturas para criação de microempresas

© Samuel Mendonça
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A Cáritas Portuguesa apresentou na passada segunda-feira, no Algarve, os resultados preliminares do projeto “Cria(C)tividade”, lançado em janeiro deste ano, que levou à apresentação de 144 candidaturas para criação de microempresas em todo o país.

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O presidente daquela instituição da Igreja Católica começou por explicar, no seminário que decorreu na Universidade do Algarve com a presença do presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, o objetivo do projeto. “A ideia foi encontrar, dentro dos constrangimentos económicos e financeiros que temos, possibilidade de as pessoas em situação de desemprego poderem ter autonomia financeira, criando o seu próprio posto de trabalho”, explicou Eugénio Fonseca, lembrando que a Cáritas não se limita apenas à assistência que sublinhou ser “uma dimensão da intervenção social como outras”.

O coordenador técnico-científico do projeto complementou que o mesmo visou o apoio à implementação do autoemprego pelas vias da atividade por conta própria, da criação de microempresas e do franchising social. Carlos Medeiros destacou que apesar de os destinatários serem os desempregados de longa duração com poucas qualificações académicas e mais de 40 anos, a iniciativa acabou por ter a adesão, sobretudo, de jovens licenciados desempregados, na sua maioria do sexo feminino.

Segundo aquele responsável, as candidaturas apresentadas (148, tendo havido quatro desistências) foram na área dos serviços foram (67), comércio local (31), restauração (15), produção agrícola ou artesanal (14), apoio social e outros (21) e o apoio da Cáritas passou, numa primeira fase, pela formação e aconselhamento dos candidatos sobre desenvolvimento dos produtos e serviços e estratégia de comercialização, contabilidade e funcionamento financeiro, comunicação, atendimento e marketing. As empresas criadas irão contar com este apoio técnico durante dois anos.

© Samuel Mendonça
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“Temos uma dificuldade que é a do financiamento porque muitas destas pessoas candidatas têm dividas e ao ser-se endividado em Portugal tem de se ser castigado, ficando impedido de aceder a outros projetos para criar autonomia financeira. A dificuldade que estamos a ter neste projeto é encontrar recursos financeiros para colmatar esse endividamento para que as pessoas possam aceder como qualquer cidadão aos recursos financeiros para a criação de novos postos de trabalho”, explicou Eugénio Fonseca.

© Samuel Mendonça
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Carlos Medeiros explicou que “quase todos [os candidatos] não tinham o dinheiro para começar o negócio”. “Um dos problemas mais difíceis deste processo é que não existe o dinheiro para podermos ceder”, relatou, explicando que a Caritas conseguiu, através de parceiros, “linhas de microcrédito com condições altamente vantajosas” e que uma das modalidades de financiamento foi o crowdfunding (financiamento coletivo por doações). Nesse sentido, no dia 3 de dezembro, será lançada com uma entidade bancária uma plataforma segundo este modelo de financiamento para obtenção de valores médios entre os três e os 10 mil euros para os primeiros 15 projetos que irão ser criados.

Aquele responsável lamentou ainda ter havido uma “promessa do Governo” de empréstimo financeiro para o projeto em “condições bastante vantajosas” que não chegou a ser concretizada. Carlos Medeiros considera mesmo que “não houve uma política real no país de apoio à criação de empresas”. “As opções aqui foram fazer mais difícil a vida da classe média, das pequenas e microempresas, enquanto em Inglaterra foi fazer com que as grandes empresas contribuíssem mais e que a classe média e as novas empresas tivessem mais oportunidades”, criticou.

Carlos Medeiros apontou ainda uma das principais vantagens do projeto. “Ajudou as entidades ligadas à solidariedade e à economia social a perceberem que têm de ser proactivas a resolver os problemas da exclusão social”, afirmou, acrescentando que o Estado deve perceber que as instituições particulares têm mais resultados e menos custos na resolução dos problemas do emprego. Neste sentido, defendeu mesmo que o Estado deve criar subsídios para a criação de empresas em vez de subsídios de desemprego “porque se elas forem bem-sucedidas, são um dinamizador do próprio emprego”.

© Samuel Mendonça
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Eugénio Fonseca disse ainda que o projeto foi “pensado para três anos e acabou por ser reduzido a nove meses” e Carlos Medeiros explicou que o mesmo foi financiado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica, que já acabou, e pelo Fundo Social Europeu, não sabendo a Caritas se haverá condições para a continuação do “Cria(C)tividade”. “Foi uma corrida contra o tempo”, explicou o coordenador técnico-científico, considerando que “não houve um significativo conhecimento do projeto” que teve apenas uma candidatura oriunda do Algarve. “Se tivesse havido um maior conhecimento, seguramente, teria havido uma resposta maior”, defendeu, acrescentando que a ser continuado o projeto precisará de uma “bateria de ideias de negócio” diferente porque o público-alvo não deverá ser o desempregado de longa duração. “Para esse tem de ser uma outra abordagem muito mais complicada”, concretizou.

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