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Catorze linces ibéricos retirados em agosto regressaram a Silves

Catorze dos 29 linces ibéricos retirados em agosto do Centro Nacional de Reprodução de Silves e enviados para Espanha, devido ao incêndio em Monchique, já regressaram ao Algarve, disse hoje à Lusa o diretor do centro.

“Esperamos receber os outros 12 animais até ao final desta semana, depois de concluídas as obras de recuperação dos cercados destruídos pelo fogo”, indicou Rodrigo Serra, diretor do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), sedeado junto à Barragem do Arade, em Silves.

Inaugurado em 2009, o CNRLI foi atingido pelo incêndio de 06 de agosto passado que teve início no concelho de Monchique e que se alastrou ao de Silves, obrigando, dois dias depois, à retirada dos 29 animais que se encontravam no local, os quais foram enviados para três centros de recuperação em Espanha, nas zonas da Andaluzia, Extremadura e Castilla la Mancha, onde permaneceram durante quatro meses.

A secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza, Célia Ramos, visitou hoje o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico, sendo que as obras de recuperação e melhoramento dos cercados e habitats, dos sistemas de aspersão de água e de combate a incêndios ascenderam a 700 mil euros.

Dos 29 linces ibéricos enviados para Espanha, apenas vão regressar 26 ao Algarve, já que um morreu de doença, devido à idade, e outros dois estão aptos para serem reintroduzidos em meio natural, indicou o responsável pelo centro.

Os primeiros 14 felinos regressaram no passado dia 5 de dezembro, depois de terem ficado asseguradas as condições para o seu acolhimento, com a recuperação dos cercados destruídos pelo fogo.

“Esperamos terminar esta semana todas as obras de reconstrução e de melhoramento das infraestruturas para acolher todos os animais, para lhes dar estabilidade e recuperá-los”, sublinhou Rodrigo Serra.

Segundo o responsável, as mudanças consecutivas dos animais, de centro para centro, têm sempre consequências, “causando situações de stress, porque o animal tem de se voltar a adaptar ao sítio”.

“É sempre complexo, mas os primeiros animais estão muito melhor do que esperámos que estivessem dadas as circunstâncias, e vamos aguardar para ver o que os próximos meses nos dizem sobre a adaptação e bem-estar destes que cá estão e dos outros que aguardamos até ao final da semana”, destacou Rodrigo Serra.

Por seu turno, a secretária de Estado do Ordenamento do Território e Conservação da Natureza considerou a sua visita “como algo de simbólico”, pois comemoram-se os dez anos da abertura do centro de reprodução da espécie em Portugal.

“É importante demonstrar que com um trabalho continuado e empenho das pessoas que aqui trabalham todos os dias, é possível levar a bom porto estes projetos”, frisou Célia Ramos, acrescentando que “a manutenção do centro tem um custo anual de 700 mil euros”.

As obras de recuperação e melhoramento do CNRLI de Silves foram custeadas por verbas do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e do Fundo Ambiental.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado no dia 10 de agosto, deflagrou no dia 03 à tarde, em Monchique, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão e de Odemira (distrito de Beja).

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