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© Samuel Mendonça

O encontro do passado mês de outubro dos centros paroquiais e outras instituições sociais da Igreja algarvia teve ontem continuidade com a realização de mais um dia de reflexão e formação em que se evidenciou a necessidade daquelas organizações terem um plano pastoral.

A iniciativa, que teve desta vez lugar na Aldeia de São José de Alcalar, na Mexilhoeira Grande, voltou a ser orientada pela irmã Isabel Martins, da congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, e presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

A religiosa, natural de Monchique, deixou claro que “a função principal do plano pastoral é manter a identidade cristã da instituição”. “É preciso que toda a instituição atue a partir do evangelho, desde a senhora da receção até quem trata dos utentes ou quem lava o chão”, afirmou, advertindo que “um dos maiores riscos” daquelas organizações é, “com o tempo e as preocupações”, irem-se desviando da finalidade que esteve na sua origem.

Segundo a formadora, as instituições sociais da Igreja devem mesmo “bater o pé à Segurança Social” para manter a sua identidade. “As instâncias que nos tutelam não vão reconhecer um plano pastoral como plano de atividades”, constatou como exemplo das resistências à identidade, aconselhando as instituições a serem práticas, criando “instrumentos” que lhes sejam úteis e não as sobrecarreguem.

A irmã Isabel Martins defendeu a necessidade de um agente pastoral que mantenha na instituição a identidade cristã, sublinhando que poderá não ser um padre. “O mais importante é que seja uma pessoa de Igreja e com fé”, sustentou.

Para a religiosa, outra função do plano pastoral é “manter a instituição em articulação com a Igreja local”, advertindo para o “risco” daquelas organizações “se tornarem ilhas”.

Explicando que os “quatro pilares” do plano pastoral visam “colocar o centro social numa linha evangélica”, o “crescimento da fé de utentes, famílias, colaboradores e dirigentes”, a “articulação com a Igreja local” e “congregar iniciativas de evangelização”, a consagrada salientou que o plano pastoral tem de ter em conta o projeto da instituição”, incluindo os “planos que os trabalhadores desenvolvem”, e o plano pastoral da Igreja local.

Neste sentido, aludiu à necessidade de o documento “atender às três dimensões da pastoral da Igreja” – profética, litúrgica e sóciocaritativa –, privilegiando uma “pedagogia pastoral”, os “percursos de vida e de fé” dos trabalhadores e destinatários, bem como a “formação integral” de ambos. “O maior desafio do plano pastoral é fazer o caminho com as pessoas”, disse.

A formadora destacou ainda as etapas para o “processo de construção do plano pastoral” que deve começar pelo “diagnóstico” e pela definição da “intervenção a fazer”, estabelecendo “prioridades”, seguindo-se a “elaboração/aprovação”, o “desenvolvimento” propriamente dito do plano pastoral e a sua “avaliação/reelaboração”.

O bispo do Algarve também destacou a importância da identidade daquelas instituições. “A identidade é a riqueza maior que devemos defender e pela qual temos de lutar”, afirmou D. Manuel Quintas, garantindo que “nenhuma paróquia do Algarve criou o centro social paroquial como investimento”, mas antes como “resposta a uma necessidade” e à “missão que tem a Igreja”. “A origem e a motivação primeira para o surgimento destas obras não se podem perder. Tudo o que fizermos tem mesmo esse objetivo”, pediu, sublinhando que “estas instituições não podem ser iguais às outras”. “Têm que haver algo específico”, sustentou.

O IV Encontro dos Centros Sociais Paroquiais e outras Instituições Sociais da Igreja do Algarve, subordinado ao tema “Plano Pastoral e Formação de colaboradores nas Instituições Sociais da Igreja”, foi promovido pelo Secretariado da Pastoral Social da Diocese do Algarve e contou com cerca de 70 responsáveis daquelas instituições.

O próximo encontro terá lugar no Centro Paroquial de Cachopo no dia 21 de abril de 2015.

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