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“Parece que o engenheiro Macário Correia anda a brincar às portagens. Não entendemos estas posições, pois um dia está contra, no noutro dia diz nim e agora parece estar a favor”, declarou à Lusa João Vasconcelos, membro da Comissão de Utentes da Via do Infante, um movimento algarvio contra as portagens na A22.

A Comissão de Utentes repudia as declarações do presidente da Câmara de Faro e classifica-as de “lamentáveis”, argumentando que a Estrada Nacional 125 não é alternativa viável à A22.

O social democrata Macário Correia, que admitia já em setembro de 2010, a introdução de portagens na A22 após requalificação da EN 125, declarou hoje à Lusa, em entrevista telefónica, que “uma coisa é a gente mudar de opinião, outra coisa é a gente constatar que as circunstâncias mudaram”.

Macário Correia recordou que quem decide a introdução de portagens são os Governos e não os autarcas.

“Os presidentes das Câmaras não são os elementos de decisão, a decisão cabe aos Governos”, disse, recordando que os pórticos foram colocados no Governo socialistas mas é no atual que se “prepara para a introdução do pagamento”.

“Uma coisa é termos uma opinião contra e conseguir que seja levada por diante, outra coisa é manter a nossa opinião, mas perceber que alguém decide contra a nossa vontade e que coloca uma decisão em marcha, e é isso que eu penso que poderá a vir a acontecer”, acrescentou.

No entanto, Macário Correia continua a afirmar que introduzir portagens na A22 é “uma medida que vai agravar o trânsito na EN 125, vai agravar a sinistralidade, vai criar uma injustiça em relação à Andaluzia e vai criar uma despesa adicional às famílias numa altura em que o desemprego no Algarve é crescente”.

Vários autarcas do Algarve, como por exemplo o de Monchique (PSD), Portimão (PS) e São Brás de Alportel (PS) estão contra a introdução de portagens na A22, enquanto que Luís Gomes (PSD) adianta à Lusa que antes de comentar quer conhecer o “modelo de pagamento”.

“Continuo contra as portagens, enquanto não existir uma resposta capaz, apesar de, em caso de inevitabilidade da medida, considerar que nesse caso a A22 deve ser entendida como um critério diferenciador, dada a sua origem, características e construção”, declarou Rui André, autarca de Monchique.

O autarca de Portimão, Manuel da Luz, também continua contra as portagens: “procure-se outra solução, pois esta traz prejuízo para a região e a crise já existe há muito tempo”.

António Eusébio, da autarquia de D. Brás de Alportel, também continua contra as portagens “pelas especificidades do Algarve”.

O grupo parlamentar do PCP vai propor ao Parlamento que aprove um projeto de resolução contra as portagens na A-22 (Via do Infante), por não haver um itinerário alternativo plausível, anunciou segunda-feira aquele partido.

A introdução de portagens na A22 tinha sido decidida pelo anterior governo do PS e esteve prevista para entrar em vigor a partir de 15 de abril, mas a decisão foi adiada depois da demissão do então primeiro-ministro José Sócrates.

No entanto, os pórticos já estão instalados em dez locais da Via do Infante, entre Vila Real de Santo António e Lagos, quase prontos para começarem a funcionar.

Lusa
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