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© Sandra Moreira
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Na última sexta-feira, na sua intervenção na sessão de comemoração do centenário do jornal Folha do Domingo que teve lugar à noite no claustro da catedral de Faro, o cónego Joaquim José Nunes contextualizou a fundação do jornal da Diocese do Algarve a 19 de julho de 1914 pelo então cónego Marcelino Franco com o apoio do bispo do Algarve da altura, D. António Barbosa Leão.

Aquele sacerdote e historiador, que foi também diretor deste órgão de comunicação social entre setembro de 1996 e fevereiro de 2000, discorreu sobre “A Fundação da Folha do Domingo no contexto da Primeira República”, acentuando o “ódio e a vontade de esmagar a Igreja” como “posição do novo poder face à Igreja e aos cristãos”. O orador lembrou a afirmação de Afonso Costa, membro do Partido Republicano Português, um dos principais obreiros da implantação da República em Portugal e uma das figuras dominantes da Primeira República, de que “acabaria com a Igreja e com o catolicismo no espaço de duas gerações” e as ações levadas a cabo para alcançar este propósito.

Neste contexto, o cónego Joaquim Nunes considerou que “foi o agarrar à âncora, que ficou esquecida, de que os sacerdotes, os cristãos e os bispos também eram cidadãos – e como tal sujeitos de direito e de liberdade – que permitiu que as respostas (dentre as quais o Boletim do Algarve e a Folha do Domingo) e os meios da sua realização, fossem possíveis”.

O conferencista, que sublinhou a personalidade marcante de D. António Barbosa Leão, lembrou que a 6 de janeiro de 1912, o ministro da Justiça António Caetano enviou uma circular onde interditava o bispo do Algarve de residir na sua diocese por dois anos. “O clero algarvio organizou uma romaria ao Paço Episcopal em solidariedade com o seu pastor. D. António Barbosa Leão não se vergava e escreveu ao Presidente da República”, relatou, lembrando ter sido neste contexto que o Boletim do Algarve, órgão que deu origem ao jornal Folha do Domingo, “foi nos anos de 1911 e 1912 o arauto e a voz de um clero ameaçado”. “É neste ambiente que, a 19 de julho de 1914, sai o primeiro número de Folha do Domingo. Na primeira página, para além do título, evidencia-se a seguinte indicação: Com licença da autoridade eclesiástica. Não é a lei do Estado, relativamente à Igreja, que permite este inciso. É um ordenamento que tinha a ver com a liberdade”, concluiu.

com Sandra Moreira

Conferência do cónego Joaquim José Nunes:

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