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Há quem faça juízos muito superficiais sobre os seus semelhantes, até mesmo dentro das comunidades cristãs.

O hábito, eu diria até a mania tão em voga, nos nossos dias, de classificar as pessoas em dicotomias exageradas também chega, infelizmente, aos cristãos.

Assim, por exemplo, classificam-se determinados cristãos, e até membros da hierarquia como conservadores e progressistas, consoante as suas posições assumidas a respeito deste ou daquele problema que aflige a Igreja e sobre o qual até, de facto, podem coexistir opiniões diferentes, sem que os princípios da fé comum, possam sequer ser beliscados.

Assim e descendo mais ao concreto: se determinado membro da hierarquia ou mesmo qualquer cristão mais responsável e comprometido toma uma certa posição sobre um problema social premente, que é preciso resolver, logo se ouve, «aqui-d’el-rei», que é avançado, progressista e às vezes é apodado de esquerda e extrema esquerda, etc., etc…

Se pelo contrário, um prelado ou um simples fiel, em determinadas circunstâncias, se batem, por exemplo, para que as normas estabelecidas sejam cumpridas, neste ou naquele sector, «aqui-d’el-rei» igualmente, que são conservadores, imobilistas etc…

Ora se ser conservador é ter uma devoção especial ao Santo Padre, é falar, na hora exacta, sobre a doutrina eterna exaurida nos Evangelhos, é divulgar os ensinamentos e as orientações do Concílio Vaticano II, então todos os cristãos e toda a hierarquia se deveria sentir orgulhosa de ser conservadora.

O mal de muitos cristãos é, sem dúvida, pensarem e agirem segundo as categorias e classificações meramente naturais e mundanas.

Será atitude conservadora apresentar, como diz S. Paulo oportuna e importunamente, Jesus Cristo como modelo incondicional a seguir e a imitar?
Valha-nos o «Pai do Céu», como costuma dizer, cheio de bonomia e também de unção, um santo sacerdote meu amigo!…

Realmente, enquanto vivermos neste mundo imperfeito e limitado, teremos de suportar, e se possível, com alegria, todas as classificações que a nosso respeito, e sobre esta matéria, os outros, sejam eles quem forem, nos façam.

Mas o que, de facto, importa, isso sim, é seguirmos em frente, com humildade, sem dúvida, lembrados da nossa condição de criaturas, mas fortes com a graça de Deus e sem ligarmos às classificações, venham elas de onde vierem.

Pois não podemos esquecer que a verdadeira dinâmica cristã supõe sempre os valores tradicionais e a adaptação constante da doutrina eterna às necessidades reais de cada época.

E por isso, será no fiel cumprimento das nossas obrigações, na devoção e obediência ao Santo Padre, como Vigário de Cristo na terra que encontraremos aquela força e aquela coragem para sermos aquilo que somos pela graça de Deus.

Joaquim Mendes Marques

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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