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Coordenador de EMRC veio ao Algarve pedir trabalho articulado na promoção da disciplina

© Samuel Mendonça
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O coordenador do Departamento de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no Secretariado Nacional de Educação Cristã (SNEC) veio ao Algarve no último sábado pedir que na Igreja se faça um trabalho articulado de promoção da disciplina.

“A EMRC tem de ser algo levado muito a sério dentro da Igreja”, frisou Fernando Moita, acrescentando que “também os jovens católicos têm de fazer esta escolha porque não faz sentido ter garotos que não têm vivência comunitária eclesial e optam pela disciplina e os que têm vivência comunitária eclesial não o fazerem”. “Não bate a bota com a perdigota!”, considerou aquele responsável na jornada de formação com os docentes algarvios que teve lugar no Seminário de São José, em Faro, promovida pelo Secretariado do Ensino Escolar da Diocese do Algarve.

© Samuel Mendonça
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Neste sentido, Fernando Moita deixou o “desafio” do diálogo com quem trabalha com jovens nas paróquias, uma proposta que disse caber ao SNEC, aos bispos e aos secretariados diocesanos, apelando à parceria com agrupamentos do Corpo Nacional de Escutas, catequese, associações de acólitos e grupos juvenis. “Esse diálogo tem de acontecer a nível das estruturas nacionais, diocesanas e locais. Temos de ter a coragem, na nossa paróquia, de perguntar aos jovens se frequentam a disciplina de EMRC”, afirmou, acrescentando ser “urgente convencer os párocos que catequese e EMRC são duas coisas diferentes complementares”.

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Aquele coordenador, que apelou ainda à realização de reuniões de zona ou vigararia, à programação da disciplina ao nível de escolas vizinhas, à partilha de experiências e à organização conjunta de visitas de estudos, lembrou que os alunos que frequentam a disciplina saem com uma incomparável formação, não só bíblica e teológica, mas também ética e humana, relativamente a outros que não a frequentam e que os primeiros se tornam “mais empenhados na vida comunitária, seja eclesial, seja civil”. “Andamos tão preocupados com a formação de adultos e desperdiçamos este tempo que a escola oferece a todos?”, questionou.

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Fernando Moita lembrou ainda que, para muitos alunos, a aula de EMRC é a única possibilidade de contacto com a mensagem de Jesus “porque eles, por razões várias, nunca estiveram ou deixaram de estar na vivência comunitária eclesial”. “Há muitas dioceses em que há mais garotos em EMRC do que na catequese. Se nós nos sentimos detentores de um tesouro, o que queremos é que esse tesouro chegue ao maior número possível de alunos”, acrescentou no encontro que contou também com a presença do bispo do Algarve, D. Manuel Quintas.

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Aquele responsável, que exortou os professores a terem bem claras as diferenças entre EMRC, catequese e Educação e Cidadania, desafiou aos docentes a ajudarem a “restituir dignidade” aos alunos. “Há crianças que chegam à escola com a dignidade maltratada. Ao menos nós, na EMRC, tenhamos esta atenção”, pediu, lembrando que “ser professor de EMRC é uma missão e uma vocação”.

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Aos novos professores pediu que “abracem” a causa da disciplina, que tragam “vitalidade” e que “não se assustem com o que encontraram”. “Entraram num ano difícil e acreditem que as coisas vão melhorar”, afirmou, referindo-se às dificuldades relacionadas com o arranque do ano letivo e com a mudança das colocações agora realizadas através de concurso nacional.

Fernando Moita apelou à profissionalização dos professores de EMRC e defendeu que aquele é o grupo docente que pode crescer. “Os outros [professores] dependem da natalidade e dos fenómenos migratórios externos ou internos. Nós dependemos desses, mas dependemos também do nosso trabalho e do nosso esforço”, referiu, garantindo não haver desemprego entre os professores de EMRC. “Tivemos apenas três professores profissionalizados que não ficaram colocados porque as suas opções foram muito circunscritas”, sustentou.

Referindo-se à lecionação da disciplina no primeiro ciclo, deixou claro que a decisão não fica ao critério da escola. “A lei é clara: a oferta tem de existir e os pais escolhem ou não escolhem. Na renovação ou no ato de matrícula que a opção seja lá bem clara”, frisou, reforçando ser preciso “que os pais saibam que existe a possibilidade de os filhos terem EMRC no primeiro ciclo”.

© Samuel Mendonça
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O dia de formação, onde foi ainda abordado o novo programa entregue pessoalmente pelo bispo diocesano a cada professor e a situação relativa aos novos manuais, foi também aproveitado para homenagear docentes que durante muitos anos lecionaram a disciplina no Algarve e que, por imperativos legais e por outros motivos, não podem continuar a fazê-lo. O encontro contou ainda com a celebração da eucaristia, presidida por D. Manuel Quintas, e com um almoço de confraternização.

No Algarve existem este ano cerca de 40 professores de EMRC e os alunos inscritos na disciplina representam cerca de 25% do total de estudantes na região.

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