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Há pelo menos 25 anos que os algarvios peregrinam ininterruptamente anualmente à Comunidade Ecuménica de Taizé, mas este ano não o farão por causa da pandemia de Covid-19.

A ligação do Algarve à comunidade monástica no sul da França, fundada em 1940 pelo irmão falecido irmão Roger Schutz, remota à realização do Concílio de Jovens que ali teve lugar em 1974, e manteve-se desde então. As peregrinações de algarvios mantiveram-se durante toda a década de 1980 e ganharam na de 1990 a regularidade que até ao ano passado tinham.

João Cabral, o atual organizador das peregrinações de algarvios e o interlocutor da Diocese do Algarve junto da Comunidade Ecuménica francesa, começou a peregrinar a Taizé em 1995 e desde aí todos os anos ali vai. Este ano, pela primeira vez desde a década de 1990 não levará ninguém com ele e reconhece que, ao fim de 25 anos não poder ir pela primeira vez a Taizé é das experiências mais difíceis desta pandemia. “Nunca faltei, por isso é um sentimento estranho. Um sentimento de tristeza”, testemunha ao Folha do Domingo.

“Parece que me falta o essencial da minha caminhada na fé. Era ir todos os anos à fonte, como dizia João Paulo II, e depois voltar à minha vida, carregar baterias para todo o ano”, sustenta.

João Cabral conta que a decisão de não peregrinar a Taizé este ano foi tomada quando a Comunidade Ecuménica encerrou em abril passado o acolhimento a adultos com mais de 30 anos, entretanto reaberto. “Falei com alguns responsáveis de grupos de jovens e decidimos que mesmo que a Comunidade voltasse a abrir o acolhimento seria um grande risco, pois conhecendo nós, a realidade de Taizé, é muito difícil manter as distâncias adequadas”, explicou.

Ao Folha do Domingo, o irmão David, único monge português da Comunidade de Taizé, explica que as restrições ali impostas estão apenas relacionadas com as normais medidas de higiene. A Comunidade ainda não teve necessidade de impor limite de inscrições porque “não há muitas inscrições”. O irmão David refere que as inscrições são atualmente de cerca de 300 a 400 por semana, uma diferença substancial para os anos anteriores em que havia milhares. “Há espaço suficiente para todos os que querem vir. Com este número de pessoas, não há qualquer dificuldade em respeitar as medidas de higiene”, assegura, confirmando haver “muito poucas inscrições de Portugal”.

A própria empresa portuguesa de autocarros, que tem anualmente uma linha de transporte de e para Taizé, para além das viagens de grupos organizados, explica que este ano os grupos interessados são poucos e que está também a ter dificuldade em ter os números mínimos para viabilizar as viagens de ida e volta.

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