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“Desde há um ano a esta parte, sinto que os efeitos da crise económica e financeira também se estão a refletir no aumento do fenómeno da violência contra as mulheres”, disse Mendes Bota, o coordenador da campanha contra a Violência Doméstica implementada pela Assembleia da República, em entrevista à Lusa.

Apesar de ainda não ter as estatísticas para sustentar com números a tese da violência doméstica estar a crescer a par da crise económica, o coordenador da campanha contra a Violência Doméstica em Portugal afirma que, no último ano, o crime público tem vindo a aumentar porque as mulheres estão “na linha da frente” do descarregar das frustrações relacionadas com a falta de dinheiro e desemprego.

“A mulher é o elo mais fraco. A mulher é o tubo de escape para as frustrações do desemprego; da falta de bens essenciais em casa e na família e portanto acaba sempre por se refletir uma maior violência contra as mulheres”, refere Mendes Bota, também presidente da Comissão para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens do Conselho da Europa.

Com o novo elemento na vida das pessoas, que é uma crise económica, Mendes Bota apela às autoridades para uma maior atenção face aos crimes que estão a verificar-se, nomeadamente com demasiadas mortes e demasiadas agressões.

“A crise está a fazer com que as pessoas percam a casa, vão para divórcio ou que acabam por não ter que comer em casa e isso vai reflectir-se no fenómeno da violência doméstica contra as mulheres”, conclui.

Mendes Bota integra desde há um ano o comité Ad Hoc do Conselho da Europa que está a elaborar uma proposta de Convenção para a Prevenção e o Combate à Violência Contra as Mulheres e a Violência Doméstica, cuja aprovação pelo comité de ministros se prevê venha a ocorrer nos princípios de 2011.

O deputado social democrata à Assembleia da República desde 1983, é também orador convidado para falar em conferências sobre a igualdade, a violência contra as mulheres e a violência doméstica em vários países do mundo.

Lusa

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