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Vem aí a Semana Santa, ao longo da qual, mas especialmente durante o Tríduo Pascal, os cristãos celebrarão os mistérios da paixão, morte, sepultura e ressurreição de Jesus. Quase dois mil anos depois de Jesus ter sido crucificado, num mundo que se diz civilizado e respeitador dos direitos fundamentais da pessoa humana e num tempo em que até existe, desde 1948, uma Declaração Universal dos Direitos Humanos, os discípulos de Jesus continuam a ser perseguidos, sequestrados, torturados e mortos, apenas e tão só por serem discípulos de Jesus!

Aquele corpo de que Cristo é a cabeça e os discípulos os membros, continua a ser perseguido, expulso das suas casas, dos seus trabalhos, das suas escolas e das suas igrejas, torturado, queimado, seviciado e morto. E o que é mais espantoso e chocante é que tudo isto se passa perante a indiferença e o silêncio cúmplice dos grandes areópagos internacionais, desde a Assembleia-Geral e o Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Conselho da Europa, o Parlamento Europeu e outras instituições da União Europeia, até aos governos dos Países ocidentais, passando pelos grandes órgãos de comunicação social do mundo dito civilizado.

Os cristãos são perseguidos e mortos no Iraque, e isso não interessa. Os cristãos são expulsos da Terra Santa, nomeadamente dos territórios sob administração Palestina, e isso ignora-se. Os cristãos são mortos aos milhares na Índia, no Paquistão, no Sudão, especialmente no Darfur e na Nigéria e o mundo faz de conta que não vê, que não se passa nada. Os cristãos não beneficiam da liberdade religiosa na Turquia ou têm dificuldades laborais no Egipto, onde são preteridos no acesso ao trabalho apenas por serem cristãos e nada se diz e nada se faz, para não ferir as susceptibilidades dos governos e dos fanáticos fundamentalistas desses Países.

Tudo isto e muito mais, está denunciado e bem documentado, num livro recentemente publicado, de autoria do escritor francês René Guitton, intitulado "CRISTIANOFOBIA – A NOVA PERSEGUIÇÃO". Aí se mostra que nesses Países, existem grupos organizados que tudo fazem para expulsar os cristãos dessas terras, tornando-lhes a vida impossível, para que a presença cristã desapareça dessas paragens, lançando para isso mão de todos os meios e expedientes, desde actos terroristas, à ocupação e destruição de igrejas e residências, assassinatos e massacres, numa política de facto consumado e terra queimada.

O direito à liberdade religiosa é para todos e em toda a parte. Por isso é absolutamente inaceitável e incompreensível que os muçulmanos, os hindus e os budistas, que vêm viver para a Europa e para a América queiram aqui gozar da liberdade religiosa e nos países onde são maioria, não respeitem a liberdade religiosa das minorias, sob pretexto de que aquelas terras são sagradas e exclusivamente para as suas crenças. Isto é intolerável, mas não é menos intolerável e incompreensível a indiferença das autoridades ocidentais, que não protestam, nem exigem reciprocidade no respeito pelos direitos fundamentais da pessoa humana, nomeadamente o respeito pela liberdade religiosa, nem condicionam a concessão de apoios e auxílios económicos à exigência dos respeito pelos direitos humanos mais elementares.

O objectivo de René Guitton, com a publicação do seu livro, não é provocar qualquer onda de islamofobia, mas antes defender os direitos humanos contra o terrorismo, independentemente da sua origem, até porque não são só os islâmicos que perseguem os cristãos, mas também os hindus na Índia e os budistas no Sri Lanka!

Com o mesmo empenho com que defendemos os Judeus dos actos criminosos de anti-semitismo e com o mesmo vigor que colocamos na defesa dos direitos dos muçulmanos na Europa e no Ocidente, devemos exigir o respeito pela liberdade religiosa dos cristãos no Oriente e desmascarar a o silêncio cúmplice e hipócrita de certos sectores ocidentais.

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