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Durante o mês de Agosto a Europa foi surpreendida com uma chocante violação do Princípio da liberdade de circulação dos cidadãos da União Europeia por parte da França. A França da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" permitiu-se expulsar do seu território algumas centenas de cidadãos europeus, famílias inteiras, apenas porque são de nacionalidade romena e de etnia cigana. Quem realizou esta barbárie foi o governo do Presidente Sarcozy e o pretexto para um acto tão brutal radica na acusação de que aqueles cidadãos da União Europeia vivem da mendicidade agressiva, do furto e até do roubo.

Manda a verdade dizer, que efectivamente existem grupos de pessoas, famílias patriarcais alargadas, que vivem de facto desses expedientes e que até existem máfias que exploram essas famílias, especialmente as crianças, que desde pequenas são iniciadas na mendicidade organizada e ensinadas a furtar carteiras. Não foi há muito tempo que pudemos ver um documentário sobre este fenómeno em grandes cidades europeias como Milão, Barcelona e Madrid, outras haverá, certamente na França, onde as crianças eram largadas de manhã nos centros das cidades, colocadas em locais estratégicos a pedir esmola, com vigilância próxima de adultos, e pior do que isso a rondar as caixas multibanco onde incomodavam as pessoas que lá iam realizar operações bancárias, pressionando, pedindo dinheiro, encostando-se, espreitando para o ecrã, mexendo no teclado, puxando por notas que inesperadamente arrancavam das mãos dos seus donos mal estes efectuavam os levantamentos, fugindo com carteiras e cartões. Tudo isto se via, mas também se viu, que quando as autoridades policiais detinham as crianças e as entregavam às entidades de tutela e protecção de menores, estas ao fim de algumas horas, normalmente ao amanhecer, deixavam as crianças sair em liberdade e voltar para os seus exploradores. É ainda verdade que no país de origem dessas famílias, a Roménia, o referido documentário mostrou os chefes das máfias a viverem em grandes vivendas, a circularem em grandes automóveis e com outras mordomias e luxos. Tudo isto é verdade e certamente foi muita coisa desta que levou os governantes franceses a perderem a cabeça e a expulsarem as famílias romenas.

Só que a França é um Estado de direito que tem que respeitar as leis, nomeadamente as leis da União Europeia a que a França livremente aderiu e se a República francesa quer combater a mendicidade agressiva e todos os fenómenos mafiosos a ela associados, deverá antes de mais proteger e institucionalizar as crianças que sejam detidas em flagrante delito de mendicidade agressiva, furto, roubo e afins e não solta-las e devolvê-las às famílias ao fim de algumas horas. Quanto aos adultos que sejam detidos por causa dessas actividades, os mesmos deverão ser presentes a Tribunal, julgados e se condenados, então uma das sanções poderá ser a expulsão do território francês. É assim que as coisas se devem passar num Estado de direito, seja a França, a Alemanha, Portugal ou a Roménia.

Curiosamente, ao mesmo tempo que isto se passava, encontrava-me em França, juntamente com quarenta algarvios, para celebrar os setenta anos do início da Comunidade de Taizé (20/08/1940) e os cinco anos da morte violenta do seu fundador, (16/08/2005). Curiosamente, o Irmão Roger foi assassinado por uma cidadã romena, uma mulher mentalmente perturbada, que hoje vive num hospital psiquiátrico. Curiosamente há cinco anos, nos funerais do Irmão Roger, na presença de Sarcozy, então Ministro do Interior de França, o novo Prior de Taizé declarou expressamente o perdão da Comunidade àquela mulher e convidou os jovens romenos a não terem complexos e a continuarem a ir livremente a Taizé, onde, disse o Irmão Alois, "são muito amados e queridos". Que diferença! A diferença entre quem vive segundo o espírito evangélico, e quem se rege segundo a carne e os critérios do mundo!

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