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O chefe-de-fila da KTM mostrou boa disposição após a recente vitória na Argentina e no Chile, onde Ruben Faria, segundo piloto da equipa, se revelou "decisivo" para que vencesse a oitava etapa, ao ceder-lhe um pneu.

Com um currículo invejável, três vezes campeão no Dakar, outras três segundo classificado e uma terceiro, Despres previu um futuro em que possa continuar a contar com o piloto algarvio, que neste Dakar fez a sua estreia como piloto oficial.

"Vejo um futuro ao lado do Ruben, não para casar, mas para estar nas motos", brincou Cyril Despres, que na segunda-feira estará com o português numa acção de promoção em Lyon, França.

"Tenho 10 Dakar e ganhei três. Tenho a ambição de fazer mais competição e ralis, mas também tenho 36 anos e a possibilidade de ajudar um piloto rápido, técnico e com ambição agrada-me", disse Despres.

O piloto fez questão de sublinhar que, no futuro, gostaria de passar o testemunho a Ruben Faria, que considerou capaz "de ir longe nas competições".

Despres considerou não ser fácil ser um segundo piloto quando se está bem, se é rápido e se podia ter outras ambições, lembrando que ele próprio já desempenhou esse papel para o espanhol Nani Roma.

O francês elogiou ainda o trabalho dos "motards" portugueses no Dakar, com o quarto lugar de Hélder Rodrigues e o 11.º de Ruben Faria, e admitiu que no futuro pode ser um luso a ganhar a prova rainha do todo-o-terreno.

"Podem e também o Paulo [Gonçalves]. O que lhes faltará será alguma experiência. Nos próximos tempos gostaria de tentar ajudar o Ruben nesse aspecto", referiu o piloto.

Em relação à possibilidade de o Dakar regressar a África já em 2011, Cyril Despres lembrou que 2008 foi uma desilusão devido à não realização – face às ameaças terroristas na Mauritânia – e que não gostaria de voltar a ter essa sensação.

"Não quero ter uma nova desilusão, gosto muito de África, mas sou desportista e o que quero é um Dakar de verdade, de 15 dias, com um dia de descanso", sublinhou.

Despres lembrou que tem uma escola de crianças em Dacar juntamente com a família de Fabrizio Meoni (vencedor do Rali Dakar em 2001 e 2002 e falecido em 2005 durante a prova), um projecto que nasceu depois de uma escola criada pelo piloto italiano.

Esta ligação não impede, no entanto, o piloto francês de equacionar um Dakar em qualquer ponto do Mundo, na "China, América do Sul ou África", desde que estejam reunidos todos os meios para que corra bem.

Também Ruben Faria defende a ideia de competir "seja onde for", sobretudo depois de ter a noção de que o rali deste ano correu muito bem na América do Sul.

"Há uns meses pensava que a alternativa era voltar a África. Este ano, na América do Sul, fizeram um excelente trabalho, uma prova muito dura, com percursos bons e sinuosos, até com mais variedade do que em África", disse.

Ruben Faria lembrou também a sua prestação na prova deste ano: "O meu objectivo era fazer o máximo para o ajudar [a Despres] se ele tivesse problemas. Ele precisou de mim e eu estava lá ", sublinhou o piloto algarvio, que viria a ter a consolação de vencer a última etapa.

Tratou-se de um momento em que Ruben Faria teve liberdade da equipa para andar mais depressa e, também por isso, segundo o piloto, as coisas "não podiam ter corrido melhor".

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