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O triunfo do espanhol na quarta etapa, que no domingo marcou o fim da primeira parte da corrida, foi o culminar de um caminho nem sempre fácil, que a equipa do Palmeiras Resort-Prio foi obrigada a desbravar, quase sempre com o pelotão às costas.

É verdade que lhe competia assumir a corrida, porque é a equipa com mais ambições da Volta e a que apresenta melhores recursos. O maior de todos é David Blanco, vencedor de 2006, 2008 e 2009, agora mais próximo de igualar o recorde de quatro vitórias de Marco Chagas.

E sem a concorrência interna de Cândido Barbosa. Duas vezes segundo, em 2005 e 2007, o ‘ciclista do povo’ viu ruir, mais uma vez, o sonho de vencer a corrida mais importante do calendário nacional, restando-lhe a consolação de ter vestido a camisola amarela por um dia e de envergar a branca, símbolo da liderança por pontos.

Lutar por vitórias em etapas e ampliar o seu pecúlio de 24 êxitos na Volta – para se destacar de Joaquim Agostinho e isolar-se atrás do recordista Alves Barbosa (34) – é agora o seu objetivo. Além de prestar todo o apoio a Blanco.

Até agora, os adversários andaram ao abrigo, na expetativa de explorar uma qualquer fraqueza da formação de Tavira, que lidera por equipas, e ‘esqueceram-se’ de dar o seu contributo para o espetáculo.

E o resultado está à vista: em cinco dias de corrida, registou-se apenas uma vitória portuguesa, a de Sérgio Ribeiro (Barbot-Siper) na segunda etapa, na chegada ao alto de Nossa Senhora da Assunção (Santo Tirso).

Aproveitou a Saur-Sojasun, que arrecadou triunfos no prólogo (Jimmy Engoulvent) e na terceira etapa (Jimmy Casper), bem como o ucraniano Oleg Chuzhda (Caja Rural), que fugiu para a vitória na primeira tirada e segurou a amarela dois dias, ostentando agora a camisola verde, de líder da montanha.

Quando chegou a Senhora da Graça, os adversários de Blanco finalmente mostraram os dentes, mas o galego, de 35 anos, resistiu aos ataques e o golpe final foi seu. O compatriota David Bernabéu (Barbot-Siper), campeão em 2004, segundo classificado, a 43 segundos, é o que está em melhor posição de lhe fazer frente.

Hernâni Broco (LA-Rota dos Móveis), o melhor português, num surpreendente terceiro posto, a 44 segundos, dificilmente poderá ombrear com os da frente, sobretudo com um contrarrelógio de 30 quilómetros pela frente (9.ª etapa). A subida à Torre (7.ª etapa) será, no entanto, o fiel da balança.

Resta ainda esperar para ver o que serão capazes de fazer o alemão Patrik Sinkewitz (ISD), quarto a 59 segundos, o espanhol Sérgio Pardilla (Carmiooro) e eventualmente Rui Sousa (Barbot-Siper), sétimo a 1.22 minutos.

De resto, Hugo Sabido (LA-Rota dos Móveis), Santi Perez (CC Loulé), Cândido Barbosa e Angel Vicioso (Andalucia) foram ‘eliminados’.

Os 132 resistentes dos 141 que iniciaram a corrida, voltam à estrada na terça feira, para disputar a quinta etapa, um percurso ‘traiçoeiro’ de 172,4 quilómetros entre Fafe e Lamego, onde a meta coincide com contagem de montanha de segunda categoria.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa
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