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A greve de trabalhadores não docentes obrigou hoje ao encerramento de muitas escolas no Algarve, na sua maioria dos primeiros ciclos de escolaridade, enquanto outras estão a funcionar com serviços e atividades comprometidas, disse à Lusa fonte sindical.

“O que se pode verificar é que os trabalhadores aderiram em massa, há muitas escolas encerradas e algumas estão sem atividades porque o número de pessoas é reduzido, outras poderão ter de vir a fechar à tarde”, resumiu à Lusa Rosa Franco, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e das Regiões Autónomas.

Segundo aquela responsável, as escolas secundárias foram as menos afetadas pela greve, mas nas escolas básicas (EB) do 1.º Ciclo e nas EB 2/3 houve “uma grande adesão” um pouco por toda a região, nomeadamente, nas cidades de Faro, Loulé, Olhão, Portimão, Vila Real de Santo António e Tavira.

Após uma ronda pelas escolas em Faro, a Lusa constatou que a maioria dos estabelecimentos do 1.º ciclo estão encerrados, havendo exceções, como o caso da Escola EB1 de São Luís, em que a escola abriu, mas com um aviso aos pais de que os serviços de higiene poderiam ficar comprometidos.

As escolas EB1 da Penha, Vale Carneiros, Bom João, Lejana, Alto Rodes e do Montenegro, em Faro, estão mesmo encerradas pela greve dos trabalhadores não docentes, que exigem a integração dos vínculos precários, uma carreira específica e meios suficientes assegurar para o bom funcionamento das escolas.

Segundo Rosa Franco, apesar de a falta de pessoal ser geral, as escolas secundárias “têm uma tradição diferente”, além do facto de ser um público escolar com uma idade superior, o que pode ajudar a explicar o facto de a adesão à greve ser quase sempre mais expressiva nos primeiros ciclos de escolaridade.

“Nas escolas básicas, mesmo nas EB 2/3, é necessário dar muito mais atenção aos alunos e nestas existe ainda a agravante da existência dos alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), que exigem uma dedicação total dos assistentes operacionais, muitas vezes sem a formação adequada”, frisou.

A greve é convocada por estruturas sindicais afetas às duas centrais sindicais, CGTP e UGT, no dia em que o calendário escolar tem marcada uma prova de aferição de Educação Física para os alunos do 2.º ano de escolaridade.

Oito em cada dez diretores escolares queixam-se da falta de assistentes operacionais, segundo um inquérito, realizado no mês passado.

O trabalho, realizado pelo blogue Comregras em parceria com a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), revelou também que quase metade destes funcionários tem mais de 50 anos e apenas 1% ganha mais de 650 euros.

A maioria dos diretores escolares (82%) depara-se diariamente com a falta de funcionários, de acordo com os dados recolhidos junto de 176 dirigentes.

Muitos destes trabalhadores estão nas escolas há mais de 20 anos e recebem o salário mínimo: 41,5% ganham 580 euros, 57,4% levam para casa entre 581 e 650 euros e apenas 1,1% tem um vencimento superior a 650 euros, segundo o inquérito.

Na quarta e na quinta-feira realizou-se a greve dos trabalhadores do setor público da saúde com uma adesão, que segundo fonte sindical, se situou entre os 70 e os 80%, causando atrasos nas consultas externas e o encerramento dos centros de saúde de Lagos e Albufeira. “No Algarve a greve anda na ordem dos 70 a 80%”, afirmou o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), José Abraão.

Também o coordenador regional do Algarve do Sintap fez um balanço da adesão verificada na quarta-feira na região, afirmando que houve “alguns serviços fechados, quer em centros de saúde, quer em serviços do hospital de Faro”.

“Os centros de saúde de Lagos e Albufeira estão encerrados e Olhão está a funcionar a meio gás”, disse ainda João Barnabé, frisando que a greve foi mais sentida nas consultas externas.

O coordenador regional do Sintap disse terem havido “serviços mínimos” garantidos, mas com “atrasos nas marcações de consultas”, porque “os serviços mínimos apenas abrangem tudo o que é urgência e oncologia previamente marcada”.

Ana Paiva, dirigente sindical do Sintap no hospital do Barlavento, disse que em Portimão a greve está a rondou os 70%, com “vários serviços fechados”.

com Lusa

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