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Num requerimento apresentado no Parlamento e dirigido ao Ministério da Economia e do Emprego, os deputados Paulo Sá e João Ramos afirmam que “o nordeste algarvio enfrenta, há algumas décadas, um processo acelerado de envelhecimento demográfico e despovoamento” e que essa obra poderia ajudar a inverter essa tendência.

Os deputados recordam que, nos últimos 10 anos, o concelho de Alcoutim perdeu, de acordo com os Censos 2011, “quase 23% da sua população residente”, que era, em 2001, de 3.770 habitantes e, em 2011, de 2.917, notando-se um decréscimo de 37% nos residentes com menos de 25 anos.

“Também do ponto de vista económico, o concelho de Alcoutim tem sofrido um acentuado declínio, com o gradual abandono das atividades económicas tradicionais, sem que outras tenham surgido no seu lugar. A quase inexistência de ofertas de emprego, assim como a insuficiência de equipamentos sociais, tem também contribuído para que os habitantes mais jovens abandonem o concelho”, consideram os deputados comunistas.

Uma das principais dificuldades para criar dinâmicas económicas positivas na zona é, de acordo com os parlamentares, “o problema das acessibilidades rodoviárias, nomeadamente, o adiamento da construção da ponte internacional Alcoutim-Sanlúcar e do troço do IC27 que liga Alcoutim a Beja”.

Apesar de reconhecidas como importantes para o desenvolvimento do nordeste algarvio e do sudeste alentejano, o início do processo para a construção da ponte conta já com cerca de 10 anos, depois de as Estradas de Portugal terem lançado um concurso público para a realização de um estudo prévio, recordaram os deputados.

“Lamentavelmente, este estudo nunca chegou a ser aprovado pelos governos de Portugal e Espanha. Apesar de uma verba para a construção da ponte já constar, em 2003, no quadro do programa comunitário Interreg III, este projeto não foi incluído na lista de projetos a financiar no âmbito do Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Portugal/Espanha para o período 2007-2013”, sublinharam.

A par da ponte, ficou também por concluir o lanço do Itinerário Complementar 27 Alcoutim –Albernoa, que faz a ligação ao IP2, perto de Beja, com uma extensão de 61 km de extensão, frisaram Paulo Sá e João Ramos.

Por isso, os dois deputados querem que o Governo diga se reconhece como prioritárias estas duas obras e o impacto que teriam para o desenvolvimento da região, para a inversão do processo de desertificação económica e demográfica e para o aprofundamento das relações com a província espanhola vizinha da Andaluzia.

Querem também saber se “foram efetuadas diligências pelo Governo junto das autoridades espanholas e andaluzes no sentido de dar início à construção da ponte Alcoutim-Sanlúcar” ou se estão planeadas algumas para o futuro próximo “para que a ponte se possa tornar uma realidade”.

O requerimento questiona ainda o ministério liderado por Álvaro Santos Pereira sobre “quando tenciona o Governo iniciar as obras de construção do lanço Alcoutim–Albernoa” e “para quando a sua conclusão”.

Lusa

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