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© Luís Forra/Lusa
© Luís Forra/Lusa/arquivo

O encerramento do Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé por falta de médicos obrigando os utentes locais e de São Brás de Alportel a recorrer ao Hospital de Faro, foi ontem criticado deputados do PS e do PCP.

Em comunicado, o deputado socialista Miguel Freitas manifesta-se solidário com as populações e autarquias de Loulé e São Brás de Alportel, cujos presidentes de Câmara, em protesto pela ausência de resposta das entidades responsáveis montaram ontem um gabinete de atendimento aos utentes à porta da SUB de Loulé.

“Esta situação degradante para todos encontra fundamento no desinvestimento nos serviços de saúde no Algarve, no conflito entre a Administração Regional de Saúde e a Administração do Centro Hospitalar do Algarve, que tem tido como consequência falhas graves e serviços encerrados nos SUB”, refere aquele parlamentar.

Há vários meses que vêm a público notícias de rutura de pessoal e material no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé e, na terça-feira o SUB esteve impedido de abrir entre as 08:00 e as 09:15 por falta de médicos, situação que se repetiu ontem das 08:00 às 11:20, confirmou a Lusa no local.

O serviço reabriu ao público, em ambos os dias, quando um médico do Centro de Saúde de Loulé é transferido para o local, obrigando ao cancelamento e remarcação de consultas, em alguns casos para o final de agosto.

O mapa de pessoal do SUB de Loulé contempla 11 médicos, 16 enfermeiros, seis assistentes técnicos e seis assistentes operacionais, mas de acordo com um comunicado divulgado pelos deputados do PCP, tem atualmente sete enfermeiros, mais dois cedidos pelo Centro de Saúde de Loulé desde 01 de junho, dois assistentes técnicos e quatro assistentes operacionais.

Os turnos da noite são assegurados por dois médicos por turno do Centro de Saúde de Loulé e os turnos do dia que até 01 de abril eram assegurados por médicos cubanos e por empresas de trabalho temporário, passou a contar apenas com os profissionais enviados pelas empresas de trabalho temporário, resultando nas dificuldades denunciadas.

O deputado algarvio do PCP Paulo Sá questionou hoje o Ministério da Saúde sobre quais as medidas que o Governo pensa adotar para que o SUB de Loulé possa funcionar normalmente.

Perante os últimos acontecimentos e com os dados recolhidos sobre os cuidados primários de saúde no Algarve, Miguel Freitas refere ter em fase de conclusão um Projeto de Resolução, onde vai recomendar ao Governo um conjunto de ações para a melhoria da qualidade dos serviços de saúde na região.

A clarificação das competências de gestão dos SUB é entendida por Miguel Freitas como medida vital para a resolução das faltas de material e de recursos humanos que têm ocorrido, assim como a abertura de concursos para a contratação dos profissionais em falta e a manutenção de Centros de Saúde e respetivas extensões de saúde no interior algarvio.

O Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços Públicos de Saúde de Loulé lançou uma petição online, no portal “Petição Pública” que pugna pela garantia de que o Centro de Saúde de Loulé e o SUB se mantenham a funcionar a 100%.

O mesmo grupo está a convocar a população para uma romaria ao Centro Hospitalar do Algarve para o próximo dia 18 de julho, pelas 18:00 com o objetivo de pedir explicações sobre esta situação.

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