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Foto © Samuel Mendonça

Os deputados do PSD eleitos pelo Algarve mostraram-se ontem preocupados com o aumento da transferência de doentes para hospitais privados da região e a quebra de cirurgias no Centro Hospitalar do Algarve (CHA).

De acordo com o relatório do Departamento de Cirurgia do CHA, relativo a 2016, houve no ano passado um aumento de 77% da transferência de doentes para hospitais privados no Algarve, o que determinou mais de 35% de cirurgias feitas por privados, com um custo de 5,5 milhões de euros.

Em declarações à Lusa, o deputado Cristóvão Norte sublinhou que o problema não é apenas pela quebra do número de cirurgias e consequente aumento dos custos, já que estava previsto gastar nas transferências para os privados 4 milhões de euros, mas, sobretudo, o facto de não se cumprirem os objetivos estabelecidos no contrato-programa.

O social-democrata falava à margem de uma visita da comissão parlamentar de Saúde que ontem se iniciou na região com uma reunião conjunta com a administração do CHA, a Administração Regional de Saúde (ARS), diversos sindicatos e a Universidade do Algarve.

“A recorrente incapacidade de atingir as metas previstas tem reflexos no contrato-programa a celebrar”, referiu o deputado, observando que é com base nestes resultados que o Governo atribui o financiamento às instituições, o que significa que o CHA poderá ter uma verba menor para este ano.

De acordo com o parlamentar, com menos financiamento “é provável que a oferta assistencial se continue a degradar” e que a saúde continue “a afastar-se dos algarvios”, o que conduz a que os privados beneficiem “largamente da insuficiência de recursos humanos e da incapacidade de produção cirúrgica” do Centro Hospitalar do Algarve.

Relativamente à quebra de 17,6% e de 2,6% de cirurgias urgentes, em Portimão e em Faro, respetivamente, o deputado lembra que as cirurgias urgentes “são as mais delicadas e quando não são realizadas atempadamente envolvem muitas vezes risco de vida ou, pelo menos, sequelas muitas vezes inultrapassáveis”.

Contactada pela Lusa, a administração do centro hospitalar escusou-se a fazer comentários sobre os dados que constam num relatório interno, remetendo a apreciação do exercício de 2016 para o Relatório Anual de Gestão e Prestação de Contas, que está a ser produzido.

Segundo os administradores, trata-se de “um documento de trabalho interno” com indicadores de 2016, alguns dos quais “já foram alvo de intervenção pela gestão de topo, tendo registado melhorias significativas em termos de produção”.

Hoje, a comissão parlamentar de Saúde visitou a Delegação Regional do INEM, em Faro, e o Centro de Medicina Física e de Reabilitação do Sul, em São Brás de Alportel.

A visita da Comissão de Saúde ao Algarve foi requerida pelo PSD.

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