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Detenção de motards dos Hells Angels lançada antes da próxima concentração de Faro

A Polícia Judiciária (PJ) deteve ontem mais de meia centena de elementos do grupo de motociclistas Hells Angels e as autoridades quiseram agir antes da próxima Concentração Internacional de Motos de Faro por acreditarem que pudessem ocorrer ali confrontos com o grupo rival Red&Gold.

Os Hells Angels e os Red&Gold envolveram-se em março em atos violentos ocorridos no Prior Velho, Loures, e que resultaram em seis feridos, dos quais três graves, tendo esta sido a primeira manifestação mais violenta da organização que levou a PJ a agir.

Em conferência de imprensa, o diretor nacional da PJ e a coordenadora da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo começaram por anunciar ontem a detenção de 56 homens do grupo motard e hoje já foram anunciados mais três elementos, aumentando para 59 o número de detidos, que começam hoje a ser ouvidos no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

Fonte oficial da PJ disse, entretanto, à Lusa que 58 elementos foram detidos numa operação desencadeada em várias zonas de Portugal, quatro deles em flagrante delito por posse de arma de fogo, e um na Alemanha, através de um mandado de detenção europeu. Entre os detidos, estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia, e vários elementos da segurança privada.

Ontem, o diretor nacional da PJ e a coordenadora da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo explicaram que esta ação estava programada há algum tempo e que em causa estão indícios de tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física, associação criminosa, já que há vários inquéritos incorporados.

Na operação estiveram envolvidos cerca de 400 elementos de várias unidades da PJ de norte a sul do país.

A coordenadora Manuela Santos explicou aos jornalistas que “os objetivos foram cumpridos”, adiantando que a contabilidade do material apreendido ainda não pode ser feita porque há equipas que ainda não chegaram à sede.

Questionada sobre a motivação do grupo Hells Angels, a coordenadora negou que tivesse motivações políticas, nomeadamente de movimentos de extrema-direita. “Muitas vezes os Hells Angels são integrados por ‘skinheads’, mas este fenómeno não tem como motivação política ou ideológica”, explicou a coordenadora da operação acrescentando que o grupo está ligada “à atividade comum como tráfico de armas e de droga, extorsão e lenocínio”.

Este grupo já existe em Portugal desde 2002 e, segundo a dirigente da PJ, estava a ser acompanhado pela polícia desde então. “Esta associação criminosa já existe em Portugal desde 2002 e é um fenómeno que tem vindo a crescer em número de pessoas e em manifestações mais violentas. No Prior Velho foi a primeira vez que houve uma manifestação tão poderosa e em força como uma associação criminosa”, afirmou Manuela Santos, acrescentando que foi a primeira vez 100 elementos atuaram em grupo “com o objetivo comum de eliminar a concorrência”.

A coordenadora policial acredita que muitos elementos ficarão em prisão preventiva, dada a gravidade os crimes pelos quais estão indiciados.

O diretor nacional da PJ Luis Neves ressalvou o facto de a operação policial ter culminado com o desmantelamento de uma associação criminosa “que impedia a liberdade dos cidadãos, nomeadamente nas estradas” e foi fruto de muito tempo de investigações que contaram com a ajuda do Serviço de Informação e Segurança, GNR, PSP.

com Lusa

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