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É uma óbvia verificação que nunca como actualmente se tem falado na necessidade de consensos, da necessidade de diálogo e cada vez se monologa mais.

Aliás, já Ortega e Gasset reconhecia que muitas vezes "o diálogo se converte num bombardeamento de monólogos".

E quantas vezes encontramos pessoas que, depois de uma longa conversa, em que só eles falaram, nos batem nas costas e nos dizem, com a maior desfaçatez, que bom conversador é o senhor, foi um prazer dialogar consigo. Dialogar, hein!

Praticamente nem chegamos a falar porque ele monopolizou o tempo, e assunto e a nossa paciência, esquecendo as regras mais elementares que um verdadeiro diálogo deve respeitar e que se resumem, por assim dizer, nisto: saber escutar, ter apreço pelo seu interlocutor e responder-lhe com sinceridade.

Falta a estas regras aquele que fala, fala sempre, sem deixar que mais alguém tome a palavra, aliás, auto-suficientes, que são todos aqueles que julgam não ter a aprender nada com ninguém.

É o que por aí vemos mais, sobretudo, em épocas de eleições. Nessas alturas, ouvimos constantemente: nós é que sabemos, o nosso programa é que é válido e fala-se, fala-se e promete-se, promete-se, quase sempre em monólogo sem fim, mas quando, posteriormente, se trata de executar o prometido, então é que são elas. Ouvem-se desculpas, assiste-se, de novo, ao mesmo discurso palavroso, com o mesmo significado de auto-suficiência.

E continua o monólogo por aí adiante porque não se atendem as reclamações justas, não se satisfazem as necessidades mais prementes dos cidadãos e muito menos se ouvem os pedidos humildes dos mais carenciados…

É que saber ouvir, mesmo quando o que se escuta não é agradável é próprio de uma pessoa superior que é humilde.

Sim, porque humilde e humildade não quer dizer mesquinhez, antes pelo contrário, neste caso quer dizer até magnanimidade, grandeza de alma, no fim de contas, qualidade e virtude.

Se todos os políticos antes e depois de qualquer acto eleitoral não esquecessem estas atitudes, cremos que muitos e grandes benefícios adviriam para os eleitores que somos todos nós. E os problemas reais de cada cidadão e de comunidade poderiam ser resolvidos com maior eficiência e a tempo.

Seria da maior conveniência que, nos tempos de campanha eleitoral, os políticos de todas as facções aparecessem nos vários sítios das freguesias e dialogassem com as populações, que se inteirassem das várias carências que muitas comunidades estoicamente têm suportado, anos a fio, ao mesmo tempo as promessas feitas deveriam ser rigorosamente cumpridas para que, por um lado, não sejam ou não continuem a ser frustradas as esperanças das populações e pelo outro, não venham a cair em descrédito os políticos.

Para que tal não aconteça, quão bom seria que esse diálogo, iniciado por altura de campanhas eleitorais, não morresse após a votação respectiva, mas deveria perdurar para que mais facilmente se pudessem conhecer e resolver todos os problemas das pessoas e das comunidades.

Que nenhum político se enclausure nem se esqueça que o político autêntico é um servidor porque, no fim de contas, governar ou exercer qualquer função administrativa é, ou tem de ser, servir e não servir-se e implica ou deve implicar sempre doação.

O autor deste artigo não o escreveu ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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