A Diocese do Algarve promoveu na passada sexta-feira, 24 de abril, a vigília de oração pelas vocações prevista no âmbito da Semana de Oração pelas Vocações 2026, que se realizou de 19 a 26 de abril, tendo como lema “Eu estou contigo” (Is 41,10).

A vigília, que teve lugar em Faro, no Seminário de São José, promovida através do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional em colaboração com o Setor Diocesano da Pastoral da Juvenil, desafiou os jovens participantes a “escutar e confiar” em Deus. “Não deixem de escutar o Senhor e, acima de tudo, de confiar n’Ele”, pediu-lhes o diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional que presidiu à oração.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Entendam que o grande amor do Senhor se espelha, acima de tudo, na vossa liberdade, na capacidade que Ele tem de confiar em cada um de vocês, na vossa liberdade e no respeito que Ele tem para convosco”, referiu o padre Samuel Camacho, acrescentando: “Ele é aquele que nos ajuda, Ele é o bom pastor que nos diz: «Eu estou contigo e quero ajudar-te». Então, que cada um abra o seu coração, deixe o Senhor falar à sua vida e perceba qual é a sua vocação”.

O sacerdote alertou para o risco de uma vida mercenária. “Se escolhermos sempre aquilo que achamos que é o melhor, no sentido de ser o mais fácil ou aquilo que nos apetece ou aquilo que gostávamos que os outros vissem em nós e não sermos amados por aquilo que realmente somos, a dada altura vamos ser mercenários porque nos vamos vender à imagem daquilo que queremos ser ou então daquilo que queremos que os outros aceitem de nós. E aí rapidamente fugimos de todas as questões, de todas as opções e de uma vida porque não nos entregámos em verdade, mas fomo-nos vendendo como mercenários”, advertiu.

O padre Samuel Camacho disse então ser na “escolha que devem fazer de alguém ou então do próprio Deus, para se tornarem como Ele”, que Deus “oferece cada uma das vocações: a vocação à vida consagrada, a vocação a ser um bom pastor e a vocação a entregar-se ao outro, como verdadeiro Deus, no Matrimónio”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Aquele responsável acrescentou que “em todas as vocações há sempre um «altar»”. “No caso dos padres existe o altar da Eucaristia onde fazemos Cristo realmente presente; no Matrimónio existe o «altar» do coração onde cada um tem de se oferecer dia após dia e onde cada um se sacrifica no «altar» do outro para que os dois se tornem uma só carne; e, tantas vezes, na vida consagrada o «altar» da comunidade em que uma comunidade religiosa tem de abdicar, muitas vezes, daquilo que gosta e lhe apetece para formar um só corpo e aí, formando o corpo do Senhor, manifestar o reino dos céus e servir os outros”, desenvolveu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A vigília de oração, que teve início com o rito da aspersão com água benzida, ficou ainda marcada pelo testemunho do seminarista Tomás Francisco, do vicariato da Pedra Mourinha, em Portimão, que explicou que o seu discernimento vocacional começou há cerca de um ano quando o seu pároco, o cónego Mário de Sousa, lhe perguntou se gostaria de entrar no Seminário.

“Desde o Crisma que sentia a falta de alguma coisa no serviço prestado à minha comunidade e à diocese. Mais tarde fui percebendo que aquilo de que sentia falta na minha vida era simplesmente de confiar”, afirmou Tomás Francisco, explicando que está num caminho de discernimento. “Tenho de perceber se é isto mesmo que o Senhor quer de mim, por isso ponho a minha confiança totalmente no Senhor e deixo que Ele me guie”, afirmou.

A vigília de oração, que teve como ponto alto a adoração ao Santíssimo Sacramento, decorreu conduzida por três “caminhos interiores” apontados pela mensagem do Papa Leão XIV na sua mensagem para o 63.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: “a Via da Beleza, que nos deslumbra em Cristo, Bom Pastor; o Conhecimento Recíproco, que nasce da relação pessoal com Deus; e a Confiança, que nos leva a abandonar-nos nos braços do Pai”, introduziu-se.