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Direção da associação Odiana muda, por Alcoutim recusar continuar acordo intermunicipal

OdianaA recusa de Alcoutim em prosseguir com um acordo de partilha de competências assinado em maio com o Governo causou mal-estar na associação intermunicipal Odiana e levou à eleição de uma nova direção, disse na sexta-feira à Lusa o novo presidente.

Francisco Amaral (PSD) também preside à Câmara de Castro Marim – que forma a Associação de Desenvolvimento do Baixo Guadiana “Odiana” com os municípios de Alcoutim e Vila Real de Santo António – e explicou que assumiu o cargo depois de o autarca vila-realense, Luís Gomes (PSD), se ter demitido da presidência em consequência da recusa de Alcoutim (liderado pelo PS) em prosseguir com o projeto-piloto assinado com o Governo.

“A recusa de Alcoutim gorou esse acordo e causou mal-estar na direção, levando à demissão do presidente, Luís Gomes. Como a Odiana iria fazer a gestão partilhada das áreas previstas no acordo, a recusa de Alcoutim deixou a Odiana numa situação de indefinição, o que me levou a assumir a presidência, para continuar com o trabalho meritório que tem feito ao longo dos anos na gestão de fundos comunitários e defender os postos de trabalho”, afirmou Francisco Amaral.

O autarca de Castro Marim – que tem agora na nova direção da Odiana Luís Gomes como vice-presidente e o presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, como tesoureiro – lamentou que o autarca alcoutenejo tenha “dado o dito por não dito” e que a sua recusa em dar seguimento à gestão partilhada de algumas áreas pelos três municípios tenha “retirado às autarquias a possibilidade de receberem verbas superiores a um milhão de euros”.

“Houve muita desconfiança da parte de Alcoutim, mas isso não teve razão de ser, porque o presidente esteve na assinatura do acordo e rubricou o documento com o Governo. Eu compreendo que possa haver alguma inexperiência por ser o seu primeiro mandato na câmara, e que isso pode depois levar à insegurança e à desconfiança, mas eu sempre deixei o cartão partidário à porta das associações intermunicipais às quais pertenci e todos deviam fazer isso”, criticou Francisco Amaral.

O novo presidente da Odiana disse esperar agora que, nesta nova etapa, Alcoutim possa trabalhar “sem desconfianças” em prol do Baixo Guadiana, embora sem o acordo que previa a gestão partilhada em áreas como o ordenamento, a proteção civil, a recolha e valorização de resíduos sólidos urbanos, a gestão florestal ou os transportes.

O presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, disse à Lusa que recusou o acordo porque este corporizava uma alteração de estatutos da Odiana “com a qual não concordava” e porque, desde a assinatura do acordo com o Governo, em maio, os documentos “foram sendo sucessivamente alterados e incorporadas novas matérias” que inicialmente não estavam incluídas.

“Em Alcoutim pensamos pela nossa cabeça e não podíamos assinar uma alteração de estatutos da Odiana com a qual não concordávamos”, justificou, apelando a que a partir de agora a direção se concentre no futuro e trabalhe na gestão de projetos na zona do Baixo do Guadiana, sem se preocupar com o passado.

A Lusa também tentou falar com o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, mas sem sucesso.

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