A Diocese do Algarve promoveu nos dias 05, 05 e 06 deste mês uma formação para os catequistas das três regiões pastorais diocesanas – respetivamente barlavento, centro e sotavento – sobre o novo itinerário para a catequese em Portugal.

O diretor do Secretariado Diocesano da Catequese lembrou que a iniciativa, promovida através do Setor Diocesano da Catequese da Infância e Adolescência (SDCIA), deu continuidade às formações iniciadas há quatro anos com o padre Manuel Queirós sobre o novo Diretório para a Catequese; com o padre Tiago Neto, sobre o novo itinerário; com o padre José Henrique Pedrosa, sobre aquele percurso; e, o ano passado, com o padre Rui Alberto, sobre os recursos daquele trajeto. “O nosso objetivo este ano foi fazer a síntese de tudo isto”, explicou o padre Pedro Manuel.
Os encontros de formação com o diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) deixaram claro que o novo ‘Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias’ deve ser feito através de uma catequese que seja “querigmática” e “mistagógica”.

Fernando Moita exortou os catequistas a levar os catequizandos a “descobrir aquilo que é estruturante na catequese”. Começando pelo querigma, palavra de origem grega, explicou que significa “primeiro anúncio”. “Primeiro, não no sentido cronológico, mas no sentido de importância”, clarificou, acrescentando a “primeira grande verdade do querigma, deste anúncio estruturante, fundamental, primeiro: Jesus ama-te”. “A segunda verdade é: deu a vida por nós; a terceira verdade é: vive connosco para nos iluminar, para nos dar vida, para nos dar força”, completou.

Para melhor interiorizar nos catequistas esta ideia recorreu a três figuras bíblicas que se encontraram com Jesus, experiência que mudou as suas vidas: Maria Madalena, a samaritana e Zaqueu. “A catequese tem de levar ao encontro pessoal com Jesus Cristo”, afirmou, advertindo: “podemos estar a ocupar os meninos, mas não a provocar o encontro. As nossas crianças e os pais, têm de chegar a esta verdade. Isto é o verdadeiro anúncio.

Fernando Moita lembrou estar a decorrer um “movimento de reorganização da missão catequética” que teve início em 2017 com a publicação da carta pastoral “Catequese: A alegria do encontro com Jesus Cristo” da Conferência Episcopal Portuguesa, seguida do novo Diretório para a Catequese, em 2020, e da edição do ‘Itinerário de iniciação à vida cristã das crianças e dos adolescentes com as famílias’, em 2022. Aquele responsável lembrou os recursos já existentes para o novo itinerário, que disse ser um “percurso” e não um “plano”, que valoriza “o encontro com Jesus Cristo e a importância das famílias”.

O diretor do SNEC lembrou, a propósito, os participantes dos encontros que eles são “catequistas da Igreja Católica” e que devem seguir as orientações daqueles documentos. “Se estou a fazer a catequese à minha maneira, não está certo. Portanto, o que fazemos, devemos fazê-lo ao jeito da Igreja”, alertou.
Mas, Fernando Moita destacou também que a catequese deve ser “mistagógica”. “O que é a mistagogia? É o caminho, é a maneira de chegar até ao mistério, é o próprio Deus. Portanto, a nossa catequese deve ser uma catequese mistagógica, deve levar para o mistério, para Deus”, explicou, acrescentando que a “contemplação de Deus”, o “silêncio”, a “oração”, a “Eucaristia” são “meios” para se chegar a Deus e “para melhor servir os irmãos”.
“Então, a nossa catequese é uma catequese querigmática porque anuncia o essencial e mistagógica porque conduz ao mistério e à celebração do mistério nos sacramentos”, resumiu, considerando que “a criança vai descobrindo aos poucos que os sacramentos são um recurso para ser feliz, para Jesus viver em si”. “Não basta saber que Jesus me ama. É necessário também ir crescendo na amizade com Jesus através da oração, da Missa, do rosário, da caridade, do fim de semana no Banco Alimentar porque estou lá como cristão e como criança da catequese. É uma maneira de amar a Deus”, prosseguiu.

Fernando Moita lembrou que o itinerário “está organizado em quatro tempos”. “O primeiro tempo é o ‘Despertar da Fé’ (1 e 2); o segundo tempo é a ‘Iniciação à Vida Cristã’; o terceiro tempo é o ‘Aprofundamento Mistagógico’ (AM); e o quarto tempo é o ‘Discipulado Missionário’ (1 e 2)”, enumerou, anunciando que vai ser publicado o ‘Despertar da Fé 2’ em setembro e que, “talvez daqui a um ano ou dois anos”, o ‘Despertar da Fé 1’. “O ‘Despertar da Fé 2’ corresponde ao atual primeiro ano. Depois seguem-se três anos de ‘Iniciação à Vida Cristã’, quatro anos de ‘Aprofundamento Mistagógico’ e dois anos de ‘Discipulado Missionário’ (DM), complementou.

Rita Santos, também do SNEC e que acompanhou o diretor, chamou a atenção dos catequistas para o “grande desafio” de irem acompanhando individualmente a caminhada dos catequizandos que é feita por cada um ao seu próprio ritmo e que, por isso, não leva a que atinjam todos ao mesmo tempo as diversas etapas da mesma.
Aquela colaboradora do SNEC considerou que “outro desafio” do itinerário é a “integração entre a catequese, a liturgia e a caridade”. “Ir à Missa muda a minha vida. Só o ir à Missa. E ir à catequese e vir a um grupo e estar assim, ainda muda mais. Torna-me mais próximo de Deus”, disse Rita Santos que falou também da dimensão litúrgica. “Temos uma ligação à liturgia, mas não temos de estar colados à liturgia. E estes materiais estão muito nesse sentido. Ou seja, estes materiais não explicam o que é que é a Quaresma. Não dizem especificamente que na Quaresma temos de fazer jejum, esmola e oração porque isso é função da liturgia. Temos de perceber que estes materiais estão descolados dessa parte, mas que nós, catequistas, também somos livres de fazer essas abordagens, até devemos, para dar azo à nossa criatividade”, desenvolveu.

A catequista constatou ainda que os recursos “têm muitas atividades”. “Não somos obrigados a fazer todas as atividades. Temos de selecionar, mas para isso tenho de estar preparada. Ter este cuidado da preparação. Então, na minha organização semanal é importante também ter este cuidado de ir rezando a minha catequese. Ao preparar a minha catequese com antecedência e ao rezá-la, também estou a preparar a minha vida. Também é uma coisa que vai transformando a minha vida e transformando a minha vida é muito mais fácil de ajudar os miúdos também neste caminho que eles vão fazendo e que vão vivendo”, acrescentou.
Aquela educadora considerou também “um grande desafio” o dos projetos, previstos no AM, que realçou valorizarem a dimensão da caridade. “Eles gostam de fazer coisas em grupo, uns com os outros. Esta coisa de serem eles a fazer, marca-os. O projeto é para ser uma vivência que os vai marcar. E é o viverem isso em conjunto e em grupo que depois os vai levar em grupo também para a vida”, frisou.

Rita Santos revelou ainda que o AM2 seguiu na semana passada para a gráfica e anunciou estar a ser trabalhado o ‘Discípulos na Força do Espírito’, um recurso no âmbito do DM “muito direcionado para a preparação para o Crisma”.
Outro desafio disse ser o dos encontros com os pais. “Agora parece estranho porque no itinerário anterior não havia nada e agora, de repente, estamos a chamar nove vezes [os pais]. Ainda assim, se não dá jeito chamar nove, chamam-se seis. Se não se consegue chamar seis, chamam-se três ou uma. Mas é importante nós irmos fazendo este trabalho com as famílias. Nós, sem as famílias não conseguimos, fazer nada”, referiu, lembrando que “todos os materiais têm o Guia do Catequista, o livro do catequizando, a pasta de apoio e a pen multimédia.
Rita Santos lembrou ainda aos catequistas a responsabilidade do testemunho. “Eu não dou o exemplo só nas quatro paredes da igreja, também dou o exemplo fora. E, portanto, a catequese tem de estar sempre na minha vida”, disse, exortando os catequistas a viverem este seu serviço com “um sentido de missão”. Nós, catequistas, também nos encontramos com Deus neste serviço. É o meu caminho. Se eu me encontrar com Jesus nesta missão, a minha vida transforma-se e eu vou vivendo mais próxima de Deus. E levo os outros também a fazerem isso comigo: os miúdos, os outros catequistas, a família”, sustentou.


Os encontros, que serviram também para lembrar que as Jornadas Nacionais da Catequese se realizam este ano a 17 e 18 de outubro em Fátima, terminaram com um rito da luz, em que os coordenadores paroquiais acenderam num círio a sua vela e que depois distribuíram a luz, símbolo do próprio Jesus, aos outros catequistas da sua paróquia.

Os encontros, que contaram com 259 catequistas e a participação também da coordenadora do SDCIA, a irmã Arminda Faustino, realizaram-se no dia 04 de maio em Portimão, no Centro Paroquial da matriz de Portimão, com 73 participantes; no dia 05 de maio na igreja de Ferreiras com 80 participantes; e no dia 06 de maio no salão paroquial de Olhão com 106 participantes.











