As duas participantes da Diocese do Algarve na quarta edição do ‘labOratório’, realizada a semana passada em Portimão, foram Beatriz Bernardo (à direita na foto), da paróquia de Armação de Pêra, e Beatriz Romão (à esquerda na foto), da paróquia da Sé de Faro, ambas na modalidade de cantoras.

A primeira participante conheceu a iniciativa através jesuítas e começou a ouvir “muita música” resultante das edições transatas do ‘labOratório’ e pela rede social Instagram soube da data para a edição algarvia.

Com uma ligação à música, mas não profissional, Beatriz Bernardo estudou no conservatório e fez teatro musical. “O meu objetivo, acima de tudo, era estar com um grupo de pessoas que têm interesse pela música e que são católicos, ou seja, com muitos interesses em comum comigo. Claro que também dá motivação olhar para este reportório para integrar nas comunidades, mas, acima de tudo, foi por ser também uma experiência de juventude ligada à música e à fé católica”, testemunhou ao Folha do Domingo.

Já a segunda participante conta que soube do projeto através de uma amiga que conheceu na ‘Missão País’ que “sabia que gostava imenso de cantar”. “Nem sabia que havia centros de jesuítas cá no Algarve”, confessou ao Folha do Domingo, mas que sabia tratar-se de uma iniciativa daquela congregação. “Gostei imenso. Senti uma progressão gigante em mim e no grupo. Em termos pessoais, eu não tinha muitas competências musicais, mas depois fui começando a aprender. Como sou contralto, aprendi vozes que não são tão intuitivas e que me ajudaram. E a nível espiritual também tem sido incrível porque no início é sempre muito mais difícil abrirmo-nos à experiência, mas com o passar do tempo e com os momentos em silêncio tornou-se muito mais fácil”, acrescentou.

Beatriz Romão diz que ainda ter adquirido “muito mais ideias e conhecimentos” para poder aplicar na sua paróquia e para partilhar no coro dos jovens. “Quero tentar passar estes conhecimentos daqui para a minha realidade, embora sinta que estes conteúdos são difíceis de aplicar no Algarve porque em Lisboa há mais jovens, mais malta que sabe cantar”, acrescentou.

Aquela cantora disse ainda estar certa de que as relações que se criaram são para se manterem. “O facto de ser uma comunidade faz com que estejamos muito mais atentos uns aos outros, criamos alguma cumplicidade”, testemunhou ao Folha do Domingo.

A quarta edição do ‘labOratório’ foi a primeira realizada no Algarve e reuniu em Portimão, de 18 a 26 de julho, 60 músicos, dos quais 46 formandos, oito formadores e seis outros participantes de outras dioceses para além do Algarve como Braga, Beja, Porto, Évora, Guarda, Lisboa ou Setúbal e que ficaram alojados na Escola EB 2,3 D. Martinho Castelo Branco.

Alguns inscreveram-se como cantores, outros como instrumentistas, outros ainda como maestros ou criadores, mas todos com o objetivo de compor música litúrgica que posteriormente fica disponibilizada gratuitamente para quem a quiser usar.

O grupo dos formadores era composto na sua maioria por músicos profissionais, cantores do Coro Gulbenkian, professores universitários e diretores corais de Lisboa, do Porto e de Braga, e ainda por sacerdotes jesuítas que também são músicos.

Edição do ‘labOratório’ em Portimão reuniu 60 participantes a compor música rezada para liturgia