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Esta dupla questão que quase nos faz lembrar a questão inicial do livro dos Actos dos Apóstolos poderia ter, arrisco a dizer, a mesma resposta: “peça cada um o Baptismo” (Act 2, 37-38) ou melhor, viva cada um o seu Baptismo e dê testemunho da vontade do Senhor de “sermos um como Ele e o Pai são um” (Jo 17, 21).

A frase é do Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I. Falando ao Congresso no dia da Família, lembrou-nos que para sermos família devemos recordar que no cristianismo, amplamente compreendido, é muito mais o que nos une que aquilo que nos separa e que a melhor forma de falarmos de catolicidade é celebrarmos fiel e santamente a Eucaristia conforme o mandato do Senhor.

O dia de hoje amanheceu solarengo e belo. Uma manhã estupenda que nos levou à ilha Margarida onde pelos jardins apreciamos a beleza da criação e das vocações por lá espalhadas como quem lança a semente à terra. Estivemos diante de um verdadeiro jardim, onde carismas e movimentos respiravam a alegria de sermos católicos, a beleza de sermos Igreja e o mistério de sermos de Jesus! Que grande graça! Não podemos voltar iguais depois de tão maravilhoso espectáculo de Fé e fraternidade. Rezamos diante do túmulo de Santa Margarida e preparamos o coração para o que viria depois.

A tarde foi passada na “Praça Kossuth” para escutarmos o Patriarca Bartolomeu I, como referi acima e para a celebração da Eucaristia. Centenas de milhares de pessoas acorreram ali em testemunho grato de Fé e envolvido de esperança. Todos sabemos que estamos ali apesar de tudo, e com o coração voltado para todos, sobretudo para Deus. Estamos ali porque fomos chamados a participar nesta manifestação da Igreja toda, abraçados pelo Cristo Total.

A homilia da Santa Missa recordou-nos que “o mundo precisa do testemunho de um cristianismo unido”. Na pessoa do discípulo amado está toda a igreja que respeita e invoca Maria como mãe da Igreja. Todos os povos precisam do patrocínio de Nossa Senhora”.

Diante de nós está a cruz missionária. “Como podemos fazer visível a nossa esperança cristã? – Esta cruz foi escolhida por isso – santos e beatos húngaros estão lá nas suas relíquias, e foram integradas as relíquias dos recentes mártires húngaros e das regiões vizinhas porque são os santos que nos mostram como podemos levar a presença de Cristo em diferentes circunstâncias”.

O fim da Santa Missa evidenciou a beleza do momento. Em procissão eucarística por mais de três quilómetros, a multidão louvou o Senhor presente e agradeceu a Deus o dom da Fé. Não existem palavras para expressar a profundidade do que ali se viveu e a alegria que todos colocaram naquele encontro tão íntimo com o Senhor.

Hoje deitamo-nos já com o pensamento na Eucaristia de amanhã, presidida pelo Santo Padre. Quase me apetece dizer, sem ir ao Tabor, “como é bom estarmos aqui”!

Padre Pedro Manuel, delegado da Diocese do Algarve
ao CEI – Budapeste 2020 (em 2021)

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