Eu vi o amor,
aquele que pode mudar o mundo.
Era invisível,
intocável e sensível,
como uma luz sem forma, mas densa,
tão transparente,
tão real,
tão presente,
que me abraçava
numa ternura indizível.

Eu vi o amor
em forma de natureza,
como se a minha mão
tocasse todas as flores,
os lírios dos campos,
as borboletas vestidas de amor.
As minhas mãos quiseram tocar-lhe,
mas era impossível.
E os meus olhos choraram de amor,
enquanto a minha alma
se erguia em esperança.

Eu vi o amor.
Estava tão perto de mim,
naquele abraço eterno
que nunca esqueci,
no olhar em que adormeci,
no carinho
que ficou em silêncio
dentro do meu peito.

Eu vi o amor,
aquele que te ama
como me ama a mim,
que não te inveja,
mas te quer bem,
que chora contigo
e, ainda assim, te perdoa.

Eu vi o amor
numa imagem turva,
embaciada,
impura
e cheia de pecado.
Mas o amor transformou
essa imagem
em algo puro e transparente.

O amor chamava por mim,
o amor que floresce
e que damos uns aos outros:
sincero,
puro,
e capaz de mudar o mundo.